Domingo, Novembro 28, 2004


A CARTA

Vou escrevendo letra por letra, na tentativa de trazer um pouco de luz aos olhos que não conseguem ver o óbvio. Escrevo para ninguém, ou para todos... todo o mundo que em silêncio observa meus passos e espera um deslize... Eis o deslize. Resolvo arrancar minhas roupas e me por nu diante desta platéia cujos rostos não posso ver.

Este sou eu, aquele que vcs não vêem. Olhem bem e vejam através de sua cegueira, que minha palavras vão suavemente violentando. Não sou o anjo que imaginam e me tomam. Sou mau, perverso às vezes... Sou manipulador e uso vc que lê estas palavras ácidas, que corroem minha imagem idealizada, que vcs colocam num pedestal.

Não pertenço a ninguém, nem nunca vão ter o prazer de me ter para sempre... Sou como o vento que sopra agora através de minha janela, neste apartemento de Copacabana. Vento que varre, refresca o início de verão quente, mas que não fica, segue seu caminho, visitanto outras janelas, outras casas, outras cortinas, outros lençóis.

Sou uma floresta de lascívia e insatisfação, onde meu egoísmo, que tento sempre combater, é ainda maior do que o de qualquer um que comigo se relacione, ou esteja no passado deste ato. Minhas florestas estão repletas de muitas fadas, pois não me comprazo em permanecer o fauno fiel e satisfeito destes bosques confusos e obscenos... Não me bastam... Não me completam.

O que esperam de mim? Esqueçam qualquer coisa, pois minha inspiração é sempre o disfarce perfeito, pois através de minhas palavras me revelo sem que o percebam, e assim, continuo terrível debaixo de seus narizes, enquanto me jogam flores de admiração.

Não me desejem felicidade... Ninguém a tem realmente. É falsa a idéia de que se é feliz plenamente. Apenas nos iludimos e nos dopamos em doses de um absynto de emoções burlescas... Inspiração! Eis a mestra das palavras que saem de meus dedos... Mas na realidade, têem como poesia, apenas poesia, toda esta revelação expontânea.

Sou cheio de medos... medo de sonhar, de acordar... de dormir. Tento desesperadamente ser lembrado um dia, mas me sinto medíocre e não vejo genialidade alguma que me torne eterno aos anos futuros, quando não mais estarei aqui. Sou como o último suspiro no meio da noite: sobressai dos demais, mas não passa de uma respiração. Um leve chamar de atenção, sem significado, sem importância.

Sou isso... uma tentativa... uma palavra vazia... um gesto sem ninguém.

posted by ALEXANDER ZIMMER 12:58 AM


Sexta-feira, Novembro 26, 2004


SELVA DE PEDRA

Vou andando entre os prédios e pensando em disconexo, pedindo desculpas a mim mesmo e perdoando cada passo que acabo de dar. Cruzo as esquinas cheias de lágrimas e algumas modelos de sonhos quebrados acabam em quartos cheios de desejos e odores perdidos entre sonhos e tristeza.

O sol brilha entre fumaça e barulho de motores cheios de força e lamentos humanos que nos espreitam entre os vultos apressados; espíritos perdidos de si mesmos. Não há nuvens, apenas poeira, muita poeira e vontade de estar vivo, mas tbm muita recusa a mudar o rumo.

Tento ver as estrelas e não há nada além de escuridão e uma lua que tenta sobressair, entre novelas e noticiários violentos, cheios de flores e enfeites e mais nada.

A manhã chega e tenho momentos de felicidade num quarto de motel de qualquer rua da cidade. Entre o frescor da juventude e os desejos quase virginais da ninfa cosmopolita, me entrego a mais do que a mim mesmo e me deixo carregar num navio fantasma pelas águas do tempo, sem me preocupar com mais nada... me deixo ir.

Entre beijos me despeço de tudo e vou saindo como cheguei, sem muito alarde, sem desculpas, sem explicações. E já sinto falta da sombra diante do sol, qdo agora mesmo só minha sombra permanece, enquanto fica para trás a velha Selva de Pedra com suas histórias, suas vidas, sonhos e pesadelos... Vou indo através da vermelhidão deste sol, como quem se consome na distância.

posted by ALEXANDER ZIMMER 12:24 PM


Terça-feira, Novembro 23, 2004


CONFIGURAÇÕES

O tempo tem as respostas...

A intensidade tem muitos pontos de vista e todos estão certos. A diferença está numa frase de Saint-Exupéry: O único ser humano que não parece ridículo é aquele que se ocupa tbm de outras coisas que não seja ele próprio.

Existem muitas formas de parecer estar ocupado de outras coisas que não de si mesmo, embora no cerne de tudo, está-se mesmo é realizando algo em prol de um egoísmo latente. Tudo que fazemos tem implicações e palavras podem machucar mais do que qualquer atitude violenta. Desculpas são sempre usadas, mas o melhor mesmo é evitar as atitudes que nos levem a ter que usá-las.

Isso nos arremete a outra frase de Saint-Exupéry: Somos responsáveis por aqueles que cativamos.

Eis a pergunta desconcertante: Não cativamos o tempo todo? Essa é a vida. Precisamos tomar cuidado com o que falamos, o que pedimos, o que afirmamos, principalmente se não teremos como "assinar embaixo" no final. É isso que causa culpa, dor e sofrimento. Mas somos livres para fazermos o que quisermos... mesmo os desastres de percurso nos ensinam e muito. Eu tbm tive os meus, por que não? Estou sempre atento. Por isso recomendo tanto o livro O Pequeno Príncipe, de Saint Exupéry... É um belo manual de como se tornar um bom ser humano. Os superficiais dirão que não passa de um livro infantil e pura fantasia, mas para quem tem olhos para ver, sabe que meia palavra basta para o bom entendedor.

Sim, a vida é para se viver, viver de verdade. Mas isso é impossível, sem se conhecer e se aperfeiçoar. É tempo disperdiçado... E boas e más conforme o que plantamos, serão nossas colheitas... O Tempo tem as respostas

posted by ALEXANDER ZIMMER 9:31 AM


Sexta-feira, Novembro 19, 2004


"Algumas palavras se perdem no vento, enquanto o outono traz o inverno e a primavera disfarça em cores, os passos no campo... A brisa sopra suaves odores vindos de longe, entre pólens e desejos quase esquecidos... mas o que são os sonhos? O que podem significar? No fundo, bem lá no fundo do vale, junto a uma cachoeira, existe um cristal escondido, onde todas as verdades, todas as pequenas palavras sussurradas jamais poderão ser apagadas e as eras nada significam... Pobres vidas passarão e nobres sentimentos jamais serão maculados por apelos temporais."

Para alguém perdida em si mesma.

posted by ALEXANDER ZIMMER 10:35 PM


Quarta-feira, Novembro 17, 2004


COMPREENSÃO

Eu me encontro e tenho vontade de estar perdido. Passada a euforia da compreensão, caio no desolamento que a realidade humana contemporânea me inflige. Fico num canto, numa penumbra que é só minha e tenho a impressão que sou das sombras. Observo calado qualquer pedaço de realidade, qualquer flash de materialização luminosa e fosca que sempre se apresentam, como mariposas incansavelmente suicidas; mas estas não morrem nunca, são inesgotáveis.

Olho ao redor e me sinto cansado de perder tudo. Sim, eu perco tudo sempre; um tudo que ninguém consegue perceber. Meus ganhos são minha ruína, pois minam minha fé, derrubam meus pilares e desmoronam meus arquétipos de direção, de posicionamento. Meus ganhos são dúbios e possuem a dupla face da perda. Então perco, perco o tempo, perco os prazeres, perco as pessoas, perco o amor.

Sim, estou centrado em mim. Não há egoísmo; não me permito mais estas vaidades. Participo e começo a dar as cartas... Lentamente manipulo a vida, que ates me manipulava. Não há mais espaço para a fragilidade animal, que se deixa levar pelos sentimentalismos sem a menor base de atitude. Meus atos agora são medidos e meus sentimentos são sacrificados, quando percebo que eles podem causar um mal maior.

Sim, existe o amor. O amor é parte de mim, como a chama que alimenta a visão dos que caminham no escuro. Mas o Amor, reconheço agora, é algo muito além do que as pessoas podem compreender. Ainda falta muito para que compreendam o que é o Amor. As atitudes transitam por terras que seriam consideradas más ou boas na visão das pessoas de hoje, porém não existe o mal e o bem, existe a necessidade universal. Eis o Amor. Ele é a necessidade universal e aquele a que chamam deus, exerce sua hegemonia através desta necessidade universal. Igrejas, Templos, padres, pastores, sacerdotes... O início pueril do que não tem a menor importância para a necessidade universal; são o conforto para a ignorância. Terras emergirão, ou submergirão, vulcões continuarão a destruir cidades e pessoas e o universo continuará seu caminho, sem que este deus faça nada, pois esta é a lei, esta é a manifestação de seu organismo, a necessidade universal.

Somos nós que temos que movimentar nossa vontade lado a lado com a necessidade universal... isso é Amor.



posted by ALEXANDER ZIMMER 8:33 PM


Sexta-feira, Novembro 05, 2004


ACLIMAÇÃO

Olho através do vidro
Tua despedida de mim;
Um distanciar inevitável
Do que não teria fim.
Tua felicidade é um sorriso,
Um desejo, um prazer,
Uma raiva, um ciúme,
Um sacrifício, um lazer.
Me calo e quando falo
Me disfarço, fujo.
Fujo de mim mesmo,
Do meu desejo;
Escondo minha cara
Atrás de uma máscara feliz,
Mas por dentro me esfacelo,
Me massacro de infeliz.
A cada sorriso, cada repetir do nome,
O inferno mais se aproxima.
Mil diabos me cercam
Para executar minha sina.
Minha luz é forte,
Mas não serve pra mim;
Pertence aos outros,
Que quase chegam ao fim.
Sonho tenebroso futuro,
Um presente inseguro;
Um tatear no escuro;
Um cercado de muros.
Se foi... simples assim.
Se foi em outros braços.
Estúpido me ceguei,
Rompi os laços.
Que lamentos monstruosos!
Que dor terrível!
Quero você de volta,
Mas isso é impossível.

posted by ALEXANDER ZIMMER 6:27 PM


Segunda-feira, Novembro 01, 2004


DE PASSAGEM...

A vida é estranha na maioria das vezes, mas nem por isso perde a beleza. Muitas vezes nos vemos em situações em que acabamos falando que a odiamos, mas no fundo isso não é verdade e é apenas um reflexo dos momentos as vezes difíceis pelos quais passamos.
Tenho andado muito reflexivo sobre as coisas, já que tenho estado num momento de auto-análise e reavaliando minhas atitudes, redefinindo posturas etc. Sempre achei isso válido, até mesmo pela evidência de produtividade e melhor entendimento de minha própria existência... As vezes acho que as pessoas deveriam ser mais ponderadas, embora eu mesmo saiba que cada um tem seu tempo e um dia acabam se conhecendo melhor e, com isso, aprimorando a si mesmos.

"... se amarmos cada criatura ou coisa com um amor puramente pessoal, um amor que se compraz mais com a sensação de amar do que com o bem do ser amado, iremos ser testados, seguramente, com o afastamento da coisa desejada. Mas se amarmos com um amor tão inteiramente destituído de egoísmo que nos poríamos de lado, sem sentir angústia, se a pessoa querida pudesse, com isso, receber um bem maior do que está em nosso poder lhe dar, então amamos com o Amor Superior, que não nos será tirado, nem elevado nem rebaixado, nem outra criatura qualquer poderá separar-nos do objeto do nosso amor."

- Dion Fortune -

posted by ALEXANDER ZIMMER 1:43 PM


P.E.R.F.I.L
Alexander Zimmer
Ator, Escritor, Diretor, Vocalista da banda AtoxoX
Touro - Ascendente em Aquário - Lua em Libra
Som: Rock Progressivo, Gothic, New Age, British Rock
Filmes: Imensidão Azul, Endless Summer, Dune, Na Companhia dos Lobos, Todos do Bertollucci, StarWars, StarTrek, The Lord Of The Rings...
Esportes; Armação Ilimitada
 
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