Terça-feira, Abril 25, 2006
MISTÉRIO MITOLÓGICO
O que é isso que ronda meu coração?
Que me faz tremeluzir na escuridão de minha própria alma?
Que me eleva além das nuvens e me faz sentir tão repleto de mim mesmo?
O que é isso?
O que é isso que me toma meio dor meio prazer, me fazendo tremer, lembrar, esquecer?
Me faz ser e não ser em minhas ilusões, em meus desejos existenciais?
O que é isso que me movimenta e nem sinto?
Que me dilui no espaço de uma lembrança?
Que me sugere estados?
Que em extremo me engole?
Que me faz delirar?
Que me faz atirar,
Sem medo da queda,
Sem medo do mar,
Até perder o ar?
O que é isso?
O que é isso que me humilha e engrandece?
Que se ri sem sentido
E sem sentidos me deixa,
A rir-me de mim próprio?
O que é isso que me afaga e sufoca?
Que me planta interrogativo
Diante da nudez e da cama grave,
Do olhar e do resfolegar indecente
De minha mente inocente,
Cheia de culpa insaciável,
Que me prescruta inteiro
E me anuncia,
Me denuncia,
Me entrega
E me faz chorar
Sem saber o porquê?
O que é isso?
O que é isso que se repete e não cansa,
Tecendo palavras em trança,
Desafiando a distância,
Levando-me de volta à infância,
Que de criança censuro,
Por tão grosseiros costumes,
Que desarticulado me tornam,
A esbarrar em promessas bobas,
Que não posso jamais cumprir?
O que é isso?
O que é isso que me dopa em seu cheiro,
Me embriaga em seu gosto
E nem percebe que o faz?
O que é isso que me violenta em seu corpo,
Me espanca em suas palavras,
Mas de safado não me morro;
Me atrevo a perigar insistente,
Como quem desafia o absynto
Num gole mais prolongado de si?
O que é isso que de delírio me toma,
Feito febre ferina
E me pica as entranhas,
Me dilacera em seus gostos,
Que dos lábios se projetam,
Me fazendo temer
A loucura que já tenho
E de insano não percebo?
O que é isso?
O que é isso que se distancia e observa,
Que me atinge como bala perdida,
Certeira transpassa meu peito
Cheio de palavras inúteis,
Que me desnudam,
Me afligem,
Me segregam de mim próprio,
De levianas que são e me tornam
Na verborragia senil
Deste coração fragmentado
E cansado de repetir sem entender
O mesmo nome,
Que no escuro se perde,
No vento se cala,
Nas árvores se bate,
No mar se afoga
E no tempo se criva?
Hieróglifo intraduzível
Às gerações futuras,
Que contemplarão sem entender,
A pedra que pronuncia calada
Um mistério mitológico,
Um impasse teológico.
Uma dor? Um amor?
Uma lenda? Uma sina?
Mas calada em si permanecerá
A palavra Marina.
postado por Alexander Zimmer 11:39 PM
Sábado, Abril 22, 2006
A QUEDA DOS ANJOS
Olha o céu! Olha!
Não há anjos nos aguardando,
Olhando por nós,
Enquanto bebemos o amargo sumo de nossa prepotência.
As dores se perderam em si mesmas,
Entre desapego e desejos impossíveis.
As frutas maduras foram bicadas
E os pássaros saciaram nossa vista,
Enchendo os céus de movimento.
Os copos quebrados permaneceram num canto,
Junto com nossa razão sem sentido,
Que almejava mais do que a própria existência;
Pagamos caro por nossa ambição,
Mas o preço pagamos
E deixamos fluir o córrego de idéias,
Independente de nossos ideais.
As areias mudam de lugar,
Mas as pegadas permanecerão na memória,
Lembrando nossa queda.
Pobres anjos insolutos e empoeirados.
postado por Alexander Zimmer 8:52 PM
Sexta-feira, Abril 21, 2006
PROCESSO DE RECICLAGEM
Estamos ensaiando a menina que vai substituir uma das atrizes na viagem pela região sul. Para nós, ás vezes é chato, mas procuro manter o bom humor, como bom clown que sou. Hoje brinquei muito no ensaio e o astral ficou bem legal, pois alguns atores sempre entram na dança e compram a brincadeira.
Nossa primeira viagem é para Cabo Frio, então voltamos ao Rio, para em seguida, irmos direto para Floripa e diversas cidades, uma após a outra. Devemos passar quase todo o mês de maio viajando pelo sul. Uma boa chance de estreitar os laços ainda mais entre o elenco.
Acho que vai me fazer bem... ando meio angustiado e, algumas vezes, triste. Preciso mesmo desligar um pouco do Rio, para voltar renovado e tocando em frente alguns projetos que tenho na cabeça e outros que começam a ter os primeiros rabiscos... Este ano, o ator Alexander Zimmer volta a se tornar um ator mais experimental. Tá na hora de mergulhar fundo outra vez na experiência interpretativa, intuitiva e criativa. Hora de passear por novas técnicas e idéias de gente que fez história no teatro mundial. Enfim, hora de me renovar e afirmar de uma vez por todas meu casamento com a arte.
Vou continuar ligado aos trabalhos de publicidade, TV e Cinema, mas retomar a parte mais importante, o artista. Ser apenas ator, não basta. Atores existem aos montes, mas atores que se renovam e buscam uma nova forma de expressão e auto-conhecimento, tornando-se instrumento de sua própria arte, são realmente poucos... E eu preciso disso. Preciso desse mergulho e redescobrimento dos métodos e sistemas, tanto externos, quanto internos. Preciso me testar, me experimentar como ser co-criador.
Antes de ator, nunca vou deixar de ser artista, portanto...
postado por Alexander Zimmer 7:28 PM
Quinta-feira, Abril 13, 2006
VIDA
Sonho com você e parece tão real, que acordo achando que caí no sono e o mundo não é real. Penso em ti várias vezes durante o dia e fico triste com tudo. Grito em silêncio em meus momentos sozinho, enquanto lágrimas escorrem por dentro, lavando cada palavra, cada ferida, cada ponto de desatino.
Às vezes sou forte e não penso, vou em frente e esqueço; rio de mim mesmo. Mas sempre existem os momentos em que o mundo não é o bastante e a vida parece sem graça, onde sou apenas humano, apenas um monte de tentativas de vida... No fim, todos somos tentativas de vida, só que ninguém admite. Pelo menos isso eu tenho coragem de expor; de me expor, mesmo que as línguas sibilem e lancem dardos, não me importo.
Outras vezes, fico calado e tento me conformar, aceitar os caminhos diferentes, as direções particulares... Não sei se sou tolo ou gênio, mas no fundo, não importam as classificações; são apenas formas de transformarmos a nós mesmos em melhores ou piores do que outros. Prefiro ser apenas humano. Nem anjo, nem demônio; nem alfa, nem omega; nem isso, ou aquilo... Apenas humano. Alguém caminhando e descobrindo que a vida é diversa e sem paradas definitivas, sem resoluções eternas, sem padrão obrigatório... A vida é apenas vida. E tenho que vivê-la simplesmente.
postado por Alexander Zimmer 2:15 PM
Terça-feira, Abril 11, 2006
AMIGOS
"Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure sempre..."
Vinícius de Moraes
Perfeito, não? Tvz não para todo mundo, mas pra mim, sim, pois sou exatamente assim. É como se eu mesmo tivesse dito isso... Obrigado, Vinícius.
postado por Alexander Zimmer 5:18 PM
Segunda-feira, Abril 10, 2006
INSUFICIÊNCIA
O sol continuava lá hoje à tarde. As ondas bailavam e banhavam a areia, cintilando em pequenos pontos, como estrelas e pensamentos... Mas nada disso foi suficiente;
O horizonte estava lá, cheio de possibilidades, como núvens desgarradas e nimbus diversos de lembranças... Mas não foi suficiente;
A brisa passava por lá, trazendo a história de corpos, perfumes, desejos... Amor... Mas isso também não foi suficiente.
E eu me vejo entregue a mim mesmo, passo ante passo, marcando as areias do tempo, que emergem de cada pisar, de cada pausa na respiração. Doces momentos circulam ao redor, meio etéreos e fugídeos, desferindo a inspiração de uma lágrima de cristal, que nunca acaba em sua densidade, de tudo que nunca foi suficiente, porque estamos presos e nunca tentamos forçar a porta, que poderia estar só encostada. Mas... teria sido suficiente?
Nada será suficiente;
Nada satisfará nossas exigências, nossas idéias e nossos ideais;
Nada será o suficiente diante do quadro do pobre Dorian Gray, que existe dentro de cada um de nós;
Nada será suficiente para nossos desejos, enquanto afogamos num copo de lágrimas e vinho, qualquer tentativa de amor incondicional.
postado por Alexander Zimmer 5:49 PM
Sexta-feira, Abril 07, 2006
IT'S MY LIFE
Funny how I find myself in love with you
If I could buy my reasoning I'd pay to lose
One half won't do
I've asked myself
How much do you commit yourself?
It's my life
Don't you forget
It's my life
It never ends
Funny how I blind myself
I never knew if I was sometimes played upon
Afraid to lose,
I'd tell myself what good you do
Convince myself
It's my life
Don't you forget
It's my life
It never ends
I've asked myself
How much do you commit yourself?
It's my life
Don't you forget
Caught in the crowd
It never ends
by Talk Talk
postado por Alexander Zimmer 11:42 PM
Quinta-feira, Abril 06, 2006
OUTONO DE NOVO
Eu não sei onde vai dar a estrada;
As nuvens passam marcando o tempo;
Alguns sorrisos passam sutis,
Entre raios de sol e algumas sombras.
Às vezes tudo parece em preto e branco;
Cabelos esvoaçam entre as folhas
De mais um outono que vem de mansinho,
Na brisa fria de meu hálito rarefeito.
postado por Alexander Zimmer 6:18 PM
Quarta-feira, Abril 05, 2006
Always Something There to Remind Me
I walk along the city streets you used to walk along with me,
and every step I take reminds me of just how we used to be.
Well, how can I forget you, girl?
When there is always something there to remind me.
always something there to remind me.
As shadows fall, I pass a small cafe where we would dance at night.
And I can't help recalling how it how it felt to kiss and hold you tight
Well, how can I forget you, girl?
When there is always something there to remind me.
always something there to remind me.
I was born to love her, and I'll never be free.
You'll always be a part of me.
If you should find you miss the sweet and tender love we used to share.
Just go back to the places where we used to go, and I'll be there
Well, how can I forget you, girl?
When there is always something there to remind me.
always something there to remind me.
I was born to love her, and I'll never be free
You'll always be a part of me.
'cause there is always something there to remind me.
always something there to remind me.
always something there to remind me.
I walk along the city streets you used to walk along with me,
and every step I take reminds me of just how we used to be.
Well, how can I forget you, girl?
When there is always something there to remind me.
always something there to remind me.
As shadows fall, I pass a small cafe where we would dance at night.
And I can't help recalling how it how it felt to kiss and hold you tight
Well, how can I forget you, girl?
When there is always something there to remind me.
always something there to remind me.
I was born to love her, and I'll never be free.
You'll always be a part of me.
If you should find you miss the sweet and tender love we used to share.
Just go back to the places where we used to go, and I'll be there
Well, how can I forget you, girl?
When there is always something there to remind me.
always something there to remind me.
I was born to love her, and I'll never be free
You'll always be a part of me.
'cause there is always something there to remind me.
always something there to remind me.
always something there to remind me.
by Naked Eyes
postado por Alexander Zimmer 6:03 PM
Terça-feira, Abril 04, 2006
THIS ALONE IS LOVE
This alone is love
No small thing
This alone is love
That my love brings
And all of us
who are travelling by trap-doors
Our souls are a myriad of wars
And I'm losing everyone
It will make my last breath pass out at dawn
It will make my body dissolve out in the blue
Oh baby, what can we do.
(Mags/Pal Waaktaar)
postado por Alexander Zimmer 12:20 AM
|
P.E.R.F.I.L |
Alexander
Zimmer |
Ator,
Escritor, Massoterapeuta, Tarólogo |
Touro
- Ascendente em Aquário - Lua em Libra |
Som:
Depende do estado de espírito. |
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Esportes:
Armação Ilimitada |
|
L.I.N.K.S |
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P.I.C.O.S |
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A.G.Ê.N.C.I.A.S |
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