Quinta-feira, Agosto 31, 2006


FAVELA E CULTURA

Há uma cultura das favelas e uma cultura da favela. A primeira é extremamente relevante, pois seres humanos vivendo em condições trágicas ainda são capazes de criar e produzir obras extraordinárias. Criariam mais se vivessem com mais dignidade. A segunda é deplorável, reveladora do pensamento o mais conservador, reacionário e desumano possível.

O conservadorismo da extrema direita insinua que lugar de pobre é na favela. Pobre não pode e não deve progredir, pois senão alcançaria a condição social de classe média, e nesse caso passaria a ser um igual. Como a gigantesca maioria de favelados é constituída por negros, essa ascensão representaria a inclusão social de uma grande massa negra. O conservadorismo da extrema esquerda afirma que a favela é uma expressão digna da cultura brasileira, um patrimônio nacional. Integrada ao turismo internacional, é um orgulho mostrar a favela como o zoológico de humanos criados em cativeiro.

Ambas as tendências se merecem. A cultura brasileira é uma realidade, mas a civilização brasileira é uma utopia. Habitação é civilização. É a base da civilização. A família, a educação, a cultura e as instituições fazem o resto.

O sociólogo Francisco de Oliveira, estrela da esquerda brasileira, afirmou em recente entrevista que "as favelas são um atestado da falência do Estado brasileiro". Urbanizar as favelas é um ato de cultura da maior nobreza. É imperativo moral em relação à responsabilidade com os destinos de milhões de crianças e jovens. Isso é patriotismo. Enxugar as lágrimas de milhões de pais é dever do Estado. Ou o Estado serve para isso ou não serve para mais nada.

Presidente da Academia Brasileira de Filosofia.
Jornal Extra - RJ, 27/08/2006.

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Sobre o post anterior, achei uma campanha bacana, que pode significar um início de mudança. Veja abaixo:



postado por Alexander Zimmer 12:56 PM



Segunda-feira, Agosto 28, 2006


HUMANIDADE #1

Olhando as propagandas políticas no horário reservado à elas e que as pessoas fogem como diabo da cruz, comecei a cafifar comigo mesmo diante do que via. É impressionante como as soluções à violência, oferecidas pelos candidatos, soa quase em uníssono: equipar a polícia, aumentar o número de policiais... Esse é o tom da grande maioria deles.

Nenhum deles sugere que o problema está na educação insuficiente e ineficiente ofertada à população.
Poucos sugerem que o problema é também resultado da falta de oportunidade de emprego; e quando falam, prometem mais empregos, como se isso pudesse ser resolvido num passe de mágicas, onde meteriam a mão dentro da cartola, de onde sairia cheia de ofertas de emprego;

Ninguém sugere que possuímos um sistema carcerário falido e que não nos oferece nenhuma solução para os criminosos que são encaminhados para os presídios, onde ficam confinados, em grande quantidade, em espaços mínimos e completamente ociosos.

Ora a sociedade precisa mudar também sua bases e compreender que possuímos um Estado que tem bases no racismo, na ogeriza à diferença social. Como pode haver um equilíbrio social, onde existem tantos preconceitos e falta de compreensão?

O ser humano não é compreendido sem estudos sérios e com negligência.

O que vemos hoje em dia é um sentimento de "olho por olho, dente por dente", quando não de medo quase absoluto.

É desta forma que vamos conseguir atingir um patamar social satisfatório, onde as pessoas possam ter vidas dignas?

Temos que acabar com a mania de querer resolver os problemas de nossa sociedade com espírito vingativo, pois isso não nos deixa vislumbrar um caminho de veras produtivo e evolutivo para a mesma. Somos acostumados a buscar que os criminosos paguem com sofrimento atroz os crimes que cometeram, num sentimento de verdugo não muito diferente daquele que alimentou seu crime. Onde isso pode ajudar na melhoria dos resultados? Perder um parente para a violência é doloroso e nos provoca a revolta, mas isso não pode ser como um combustível inflamável, que só nos leva a tomar atitudes que nos colocam lado a lado com o próprio criminoso. E aí, o que seremos nós, senão tão reprováveis quanto eles? Nós que nos consideramos tão civilizados, será que realmente o somos? Os atos desumanos praticados por eles são condenáveis e muitas vezes assustadores, mas isso nos autoriza a sermos tão desumanos quanto eles? Essa atitude realmente soluciona o problema? A experiência só nos mostra que não. Que futuro esperamos criar para nossos filhos e netos, agindo desta forma?

Sempre achei que o sistema carcerário caminha no sentido contrário. O ideal era que os presídios fossem rurais e profissionalizantes, com acompanhamento psicológico e educacional, para que quem entrasse neles, ao mesmo tempo em que fosse produtivo, preparando a terra, plantando e colhendo para beneficiar a população lesada por eles, também pudesse melhorar como ser humano, estudando e aprendendo uma profissão, pois apenas ficar encarcerado por anos, num lugar onde todos e os piores vícios são alimentados, e depois ser jogado na rua com as mesmas, ou até piores condições do que quando entrou, não nos pode ser alvo de qualquer esperança de melhoria e muito menos recuperação.

Enquanto isso, as pessoas reclamam da violência. Mas não param para pensar diferente.

postado por Alexander Zimmer 8:54 PM



Sexta-feira, Agosto 25, 2006


ORIENTE MÉDIO

Passamos por um momento mundial crítico. O que recebemos pelos meios de comunicação diz respeito tristemente à intolerância religiosa, preconceito racial e social, interesses econômicos sobrepondo-se ao valor da vida...

Quando acompanhamos as guerras que devastam a região do oriente médio há centenas de anos, sobretudo depois da descoberta do petróleo naquela região, a intolerância religiosa salta aos olhos... Ou pelo menos é assim que os meios de comunicação procuram nos mostrar. Foi parando para pensar sobre isso, que comecei a questionar todo este ódio existente e realimentado constantemente no oriente médio. Talvez, a motivação deste ódio dos árabes, palestinos, afegãos etc., em relação aos norte-americanos e a Israel não seja somente religiosa e, na verdade, religiosa seja mesmo uma pequena parte; a verdadeira motivação seja a tomada do poder, pela tomada de controle do petróleo mundial.

Sabemos que isso é uma realidade em relação ao governo norte-americano, mas começo a considerar que também seja por parte dos governos daquela parte do mundo. A diferença é que os meios de comunicação e os órgãos oficiais procuram incutir em nossas mentes, tão distantes de lá, que eles revidam e lutam desesperadamente contra os EUA e Israel, movidos por um fanatismo religioso, que deve mesmo existir, mas a meu ver está longe de ser o grande motivador destes embates sanguinários que viemos acompanhando. Provavelmente, da parte deles o interesse em defender seu petróleo seja tão grande quanto a ganância e a ambição norte-americana de possuir total controle sobre o mesmo. Apenas nos é mostrado que aqueles povos são movidos por um fanatismo febril, para que os consideremos selvagens, primitivos, menores e indignos de terem este poder nas mãos, facilitando assim nosso apoio não só a tomada de controle dos poços de petróleo pelos ocidentais, como também pelo massacre daqueles povos, incutindo e alimentando em nós o medo de que um povo tão ¿violento¿ e ¿irascível¿ deva mesmo ser estirpado da humanidade, ou se possível nem mesmo serem considerados humanos.

Ora, está na hora mesmo de exercermos nossa maior dádiva como seres humanos - nossa capacidade de raciocínio - e começarmos a pensar por nós mesmos, questionando as atitudes, as propagandas e os pontos de vista tanto dos ocidentais, quanto dos orientais e da mídia, que posa de veículo sem compromisso nenhum com essa ou aquela opinião, mas que na prática serve de instrumento para que se cometa tantas atrocidades ¿justificadas¿.

Agora mais essa guerra contra o terrorismo; uma justificativa absurda para que se implemente maiores atrocidades, num massacre sem precedentes. É aí que eu questiono: o povo judeu sofreu uma perseguição implacável por parte dos nazistas durante a Segunda Guerra. Não deveriam ter isso como lição humanitária, ao invés de exercerem a mesma postura que seus algozes, ao tratar das diferenças com os povos islâmicos? O que vemos é a mesma coisa que vimos durante a Segunda Guerra, só que sendo praticada agora por quem antes foi vítima. E com total apoio do governo dos EUA, cujos interesses vão muito além de uma eliminação do terrorismo; o objetivo é o controle do petróleo e o estabelecimento de uma hegemonia mundial norte-americana.

Não sou anti-semita, como muita gente pode vir querer me taxar, depois de tudo que eu disse. Sou mesmo simpatizante de sua religião, estudante de Kabalah e possuidor de bons amigos judeus, que muito estimo. Apenas me coloco no direito de questionar quem quer que seja, pois sou um ser humano dotado de razão e que está acompanhando o que acontece ao redor do mundo e, por isso mesmo, tem o direito supremo de exercer sua opinião. Diante de tantas atitudes absurdas, desmedidas e desumanas, acursarem-me de anti-semita seria uma piada... E de muito mal-gosto.




postado por Alexander Zimmer 12:17 PM



Sexta-feira, Agosto 18, 2006


SOMOS MULTIDIMENSIONAIS
Uma Visão Quântica da Vida


Todas as pessoas já pararam um dia e se fizeram as clássicas perguntas: De onde vim? Quem sou eu? Para onde vou? A princípio estas perguntas parecem nos deixar sem respostas, ou quando muito, uma teoria científica biológica.

Mas no âmago, quem somos? De onde vêm nossa capacidade de pensar, nossa individualidade e todas aqueles relampejar de algo que existe bem no fundo de nosso ser, mas nada conseguimos ver, a não ser este relampejar?

A busca humana para uma compreensão de si mesmo é tão antiga quanto a própria humanidade. Muito foi pensado e discutido sobre o assunto, que extrapola as barreiras da filosofia e, hoje em dia, transcende este campo completamente. Talvez o fato de nos encontrarmos num mundo cada vez mais caótico, onde as possibilidades se esgotam velozmente, onde nos chocamos uns contra os outros e contra o nosso próprio meio ambiente, tenha tornado esta busca mais importante do que nunca. E então, nos olhamos no espelho, ou paramos numa esquina, como se quiséssemos parar tudo ao nosso redor e nos fazemos a incansável pergunta: quem sou eu?

Talvez, esta pergunta esteja mais intimamente ligada a questão da realidade do que imaginamos até hoje. Como assim realidade? Eu não vejo a realidade com os mesmos olhos que via até alguns anos atrás. Imaginamos a realidade como algo que vivemos no nosso dia à dia, como algo inegável e evidente. Mas e se eu disser que ela varia? Sim, a realidade varia, não apenas numa questão de ponto de vista, mas ela é múltipla. A realidade é na verdade uma gama incontável de possibilidades multifacetadas, mas que não exploramos simplesmente por não tomarmos conhecimento destas possibilidades. Estamos tão engajados nesta possibilidade, que a consideramos a única. Estamos imersos, com nossos sentidos limitados e, enquanto permanecemos "satisfeitos" com o que esta limitação nos oferece, não podemos sequer considerar a possibilidade de uma extensa variedade de realidades. Estamos presos a nossa crença nesta realidade como única. Mas como sair disto e conseguir abarcar a realidade sobre as realidades múltiplas?

Somos seres multidimensionais. O que é isso? Bem, somos seres com capacidades além do que normalmente vivenciamos. Dormimos, acordamos, nos alimentamos, trabalhamos e voltamos a dormir, sem nunca questionarmos esta rotina. Será que estamos aqui só para isso? Provavelmente continuaremos presos nesta rotina até começarmos a nos perguntar sobre a real validade desta, até começarmos a nos fazer exatamente esta pergunta: será que é só isso? A partir de então, começamos a abrir caminho em direção a nosso verdadeiro Eu, o ser multidimensional.

Quantas vezes você não acordou durante a noite, de um sonho estranho e se perguntou como aquilo tudo poderia ser tão real, sendo apenas um sonho? Muitas, não é? Pois é, eram tão reais, porque não eram apenas sonhos, mas vivências multidimensionais. Quando dormimos, não apenas "apagamos", desligamos nosso corpo, mas realizamos algo chamado de projeção da consciência. Saímos de nosso próprio corpo, sem deixarmos de estar intimamente ligados a ele. Na verdade, funciona como um desdobramento de nosso corpo, como se esta projeção da consciência nada mais fosse do que uma extensão de nós mesmos, que se desenrola durante o nosso estado de sono. Pois é exatamente isso que ela é. Ao projetarmos, tomamos conhecimento de nossa multidimensionalidade e passamos a ter consciência de múltiplas realidades, que são como lâminas de existência. Cada lâmina de realidade é um aglomerado de múltiplas possibilidades. Esta nossa realidade nada mais é do que uma lâmina de realidade. Mas se as outras são realidades, por que não a vivenciamos como esta, mas só durante estas projeções de consciência? Muito simples. Primeiro: porque cada realidade funciona de uma forma, tem suas próprias leis, embora existam muitas extremamente semelhantes a esta; segundo: porque nós não acreditamos nelas. Sim, é verdade! Quando tomamos conhecimento de que existem e passamos a acreditar nelas, elas são perfeitamente acessíveis em vigília. Mas quando falo em acreditar é trazer esta crença para sua vivência no dia à dia, o que é bem difícil a princípio. Pois, como fazer isso? Como despertar nossos sentidos além do que eles são condicionados por toda a nossa vida?

Existem diversas formas de se fazer isso, uma delas é pela própria projeção de consciência consciente, que gradualmente vai te dando a confiança no que vivencia, tornando estas possibilidades a cada dia mais reais para você. Porém, é preciso que estas projeções sejam conscientes e não apenas em estado de sono. O que se consegue com disciplina e treinamento de determinados exercícios ensinados em institutos de projeciologia. Outra forma é através de meditação e Yoga; a conjunção das duas práticas chega a ser espetacular, quando levadas a sério e executadas com disciplina e propósito. Há pessoas que já tem essa "abertura" naturalmente desenvolvida, bastando um simples relaxamento, para que consigam projetar, ou expandir sua consciência à outras dimensões, como é o caso de alguns clarevidentes, que conseguem ver o que a maioria das pessoas não consegue; alguns até conseguem ver o futuro e o passado de outras pessoas.

Aqui tocamos em um outro assunto, o tempo, que acreditamos ser linear - passado, presente, futuro, mas que na verdade é paralelo e também multifacetado apresentando inúmeras variáveis que funcionam paralelamente sobrepondo-se, substituindo-se e mesclando-se continuamente. São como bolhas dentro de bolhas, ou dezenas de linhas de tempo funcionando em conjunto, no mesmo momento, onde acontece o presente, o passado e o futuro como se estivessem no presente. Este é um dado importante, pois faz parte de um quadro maior, por onde transitaremos quando nos tornarmos multidimensionais conscientes, estando a um passo de assumirmos nossa realidade como seres existenciais, usufruindo das múltiplas realidades e modificando as lâminas de acordo com nossa vontade e necessidade, como co-criadores. Sim, é verdade! Podemos modificá-las. Estas lâminas de realidade também podem ser chamadas de hologramas quânticos.

Nossa Ciência ainda engatinha no que se relaciona a hologramas. Sabemos ainda muito pouco sobre eles. Poderia mesmo dizer, que sabemos apenas o básico do básico, uma ínfima partícula da enorme dimensão que este assunto possui. Nós vivemos num grande holograma quântico. Isso mesmo! Nossa realidade é um grande e extremamente detalhado holograma quântico, portanto não é mais real do que um sonho, nem menos real do que uma rocha. Porque então ele é tão "real" para nós? Por dois motivos. Primeiro: Porque vivemos nele; ele é a nossa lâmina de realidade e a qual estamos mais do que acostumados a viver, embora de forma extremamente deficiente, pois acreditamos que é imutável indiferente a nossa vontade e somos escravos dela; segundo: porque a complexidade criativa deste holograma é tão espetacular, que ela possui todos os dados necessários para que não se coloque em dúvida sua existência em todos os sentidos tridimensionais.

Acordamos todos os dias, tomamos o café da manhã e saímos para trabalhar, praticar esportes e nunca questionamos o que vemos, ouvimos, sentimos. A realidade pode ser mais maleável do que jamais imaginamos, mas simplesmente ignoramos essa idéia, por parecer roteiro de um filme de ficção, ou apenas um episódio de "Além da Imaginação". Só que tudo isso é mais verdadeiro do que queremos acreditar. Esta realidade é um grande holograma, funcionando de acordo com as leis estabelecidas para ele por seu criador, mas de forma nenhuma imutável. Somos seus escravos porque acreditamos nisso.

Nos locomovemos através dele, acreditando que estamos inevitavelmente a sua mercê, quando a realidade é bem diferente. Com a nossa tomada de consciência de nossa multidimensionalidade, natural e lentamente caminharemos para a compreensão de que somos seres co-criadores e que ao invés de sermos legados a um caminho inexorável, somos sim, seres que a princípio habitam este holograma, mas que não precisamos estar sujeitos a ele; podemos modificá-lo de acordo com nossa vontade, embora sempre dentro de uma responsabilidade pelo que fazemos e criamos.


postado por Alexander Zimmer 12:32 PM



Quinta-feira, Agosto 03, 2006


BRASILEIRO

Assisto um documentário sobre Glauber e volto a me dar conta, como anos atrás, da necessária e vital existência do Cinema Novo, com toda sua clareza sobre a situação brasileira que se arrasta há 500 anos, repetindo-se, como um câncer sempre profetizado por Glauber, na falta de trabalho de um povo que trabalha incessantemente, em busca de saciar a miséria, sem que esta nunca deixe de lhe forrar o leito, invadindo até mesmo seus próprios sonhos. Lá fora ouço os berros dos que torcem pelo seu time, indiferentes, ou simplesmente anestesiados de sua sina, embebidos de sua não cultura, porque quando há necessidades acerbas, não sobra muito espaço para se pensar, viver cultura. Mas o povo brasileiro é teimoso e burla até mesmo essa impossibilidade, negando a insistência canalha de ignomínia, da safadeza e da ineficácia da ética na vida de tantos faladores e prometedores, que arvoram-se na corrida pelas cadeiras de uma câmara, de um plenário, de um certo planalto.
Perambulo pelo quarto, pensando em quão ínfima pode ser minha existência, minha necessidade de pensar, de querer, de almejar alguma mudança; a história tenta me puxar para baixo, me fazer acreditar que é inevitável pensar neste país, pois a mesma história que me tenta arrastar, ri-se de mim, numa afirmação silenciosa de que repetir-se-á inevitavelmente. Mas se não penso, quem sou? Que diferença existirá entre eu e outro que não pensa, ou que chafurda sem saber em todo esse lamaçal?
De repente me percebo grave, triste, quase uma crise, mas é apenas uma avassaladora onda de pensamentos, de ebulição ética misturada a revolta de um povo de quinhentos anos, da qual sou parte inevitável e, por incrível que pareça, orgulhosamente. Penso Brasil, penso povo. O Brasil é seu povo e seu povo precisa pensar Brasil, senão ele não há. Então e sinto encurralado em mim mesmo. Como?
Sento e me entrego numa catarse forçada, olhando para a parede. Me sinto um pobre ator, perdido em meio a tanta repetição, num ensaio eterno, que nunca se converte em estréia, pois a estréia significa o fim da corrupção, das mamatas, do tráfico de influência, dos privilégios e, de todas benemerências que só servem a uns poucos ¿ilustres¿, enquanto a maioria almeja o quadro surreal, que bem poderia ter sido pintado pela Tarsila... Talvez até tenha sido e nós não soubemos interpretar adequadamente.
É interessante... Fugimos da estética hollywoodiana com o cinema novo, porque estávamos no meio da fogueira e preciso era mostrar quem éramos e, acho eu, nunca deixamos de ser, pois continuamos sendo, e acabamos voltando hoje a seguir uma estética que vem de fora. Será que é porque estamos anestesiados? Será que é porque só quem realmente tem tempo ($) para fazer e estudar cinema hoje em dia é quem vem da ¿Classe Média¿ e não conhece a realidade de quem viveu ou vive nos suburbios? Ou será ainda, que é a política anti-educação da educação pública, que está acabando conosco? Aluno não pode mais repetir de ano; mesmo despreparado tem que passar de série (!?); professores ganham salário de miséria. E ainda inventam um sistema de cotas, quando deveriam era criar um curso pré-vestibular gratuito e eficiente, para aqueles que acabaram de sair das escolas públicas e não tem preparo para encarar o vestibular; deveriam melhorar a educação nos colégios públicos, para que quem está cursando agora, possa chegar ao vestibular preparado. Agora, sistema de cotas? Ora, isso é um preconceito disfarçado de boa ação, que só pode trazer resultados funestos para nosso país, com pessoas despreparadas entrando para faculdades e tomando as vagas de pessoas que poderiam realmente aproveita-las. Ora, não se resolve o problema pelo final, mas pela origem, neste caso, melhorando-se a educação fundamental, dando base para os estudantes que não podem pagar um colégio particular!
Olho o marketing tresloucado que nos invade inexoravelmente por todos os lados e acabo achando que ficamos é meio burros, acreditando em toda essa parafernália tecnológica que nos afronta, fascinando e alimentando nossos desejos, como se fossem uma nova dádiva olímpica, para atenuar tanta miséria. Será que atenua? O que será então a violência? Encurralada está cada vez mais, a classe nababescamente rica, que insiste em se auto-denominar classe média, como a querer disfarçar sua riqueza, com medo de sua própria cegueira e ambição desmedida, travestida da mesma tão temida violência, que crescente parece nos emboscar cada vez mais?
E ainda tem gente que pensa que Arte não se mistura com política! Se a Arte é pura política! Pobres seres ¿inpensantes¿...
Folheio um livro, troco de canal, vejo um pouco de ¿Saia Justa¿ e me percebo meio sem ação. Começo a achar que penso demais. Talvez não devesse pensar tanto; talvez eu pense sozinho; talvez não faça sentido pensar. Será? Os questionamentos de um artista, um atormentado artista em sua brasilidade, em sua realidade social. Neste país não se consegue ir longe, se você não faz parte das ¿panelinhas¿, se você não faz parte da minoritária classe dominante, se alguém não te sorri e resolve fazer uma caridade, que na maioria das vezes nem é caridade, pois vem acompanhada de uma cobrança sem vergonha e aviltante, que só quem passa pela situação, sabe como é humilhante e desestimulante.
Acho mesmo que meu problema é esse: pensar demais. Não consigo ser o cordeirinho, que segue seu pastorzinho e nada questiona. O pobre cordeirinho de fato, ainda assim é bem tratado e com dignidade por seu pastor. Estamos longe disso. Até porque, nós pastamos enforcados num cercado de impostos, enquanto os supostos pastores tomam marguerita num paraíso fiscal.
Pois é, meu mal é pensar. E pensar já foi um motivo de admiração neste país! Nossa! Que troca de valores.
Enfastiado, mesmo revoltado, me sinto mais brasileiro do que nunca, simplesmente porque ainda sinto a esperança gritando aqui dentro. Olho o céu e percebo o quanto é grande o universo, o quanto somos pequenos e precisamos aprender. Então, num riscar luminoso de raciocínio, a ficha cai. Percebo que estamos caminhando, por pior que as coisas possam parecer. Sim, estamos seguindo em frente e aprendendo a não sermos tão egoístas, através dos efeitos ruins que estamos recebendo em nossas próprias caras, frutos de nossos próprios erros que viemos plantando pelo caminho. É... Dizem que cada povo tem o governo que merece. Será que não está na hora de fazermos por merecer algo melhor? Bom, melhor será começarmos a modificarmos a nós mesmos, para que possamos começar a exigir que ¿eles¿ correspondam a nossas espectativas e assim tenhamos um país de verdade, com pessoas de verdade e algo pela qual poderemos nos orgulhar como seres humanos.

postado por Alexander Zimmer 1:38 PM



Quinta-feira, Agosto 31, 2006


FAVELA E CULTURA

Há uma cultura das favelas e uma cultura da favela. A primeira é extremamente relevante, pois seres humanos vivendo em condições trágicas ainda são capazes de criar e produzir obras extraordinárias. Criariam mais se vivessem com mais dignidade. A segunda é deplorável, reveladora do pensamento o mais conservador, reacionário e desumano possível.

O conservadorismo da extrema direita insinua que lugar de pobre é na favela. Pobre não pode e não deve progredir, pois senão alcançaria a condição social de classe média, e nesse caso passaria a ser um igual. Como a gigantesca maioria de favelados é constituída por negros, essa ascensão representaria a inclusão social de uma grande massa negra. O conservadorismo da extrema esquerda afirma que a favela é uma expressão digna da cultura brasileira, um patrimônio nacional. Integrada ao turismo internacional, é um orgulho mostrar a favela como o zoológico de humanos criados em cativeiro.

Ambas as tendências se merecem. A cultura brasileira é uma realidade, mas a civilização brasileira é uma utopia. Habitação é civilização. É a base da civilização. A família, a educação, a cultura e as instituições fazem o resto.

O sociólogo Francisco de Oliveira, estrela da esquerda brasileira, afirmou em recente entrevista que "as favelas são um atestado da falência do Estado brasileiro". Urbanizar as favelas é um ato de cultura da maior nobreza. É imperativo moral em relação à responsabilidade com os destinos de milhões de crianças e jovens. Isso é patriotismo. Enxugar as lágrimas de milhões de pais é dever do Estado. Ou o Estado serve para isso ou não serve para mais nada.

Presidente da Academia Brasileira de Filosofia.
Jornal Extra - RJ, 27/08/2006.

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Sobre o post anterior, achei uma campanha bacana, que pode significar um início de mudança. Veja abaixo:



postado por Alexander Zimmer 12:56 PM



Segunda-feira, Agosto 28, 2006


HUMANIDADE #1

Olhando as propagandas políticas no horário reservado à elas e que as pessoas fogem como diabo da cruz, comecei a cafifar comigo mesmo diante do que via. É impressionante como as soluções à violência, oferecidas pelos candidatos, soa quase em uníssono: equipar a polícia, aumentar o número de policiais... Esse é o tom da grande maioria deles.

Nenhum deles sugere que o problema está na educação insuficiente e ineficiente ofertada à população.
Poucos sugerem que o problema é também resultado da falta de oportunidade de emprego; e quando falam, prometem mais empregos, como se isso pudesse ser resolvido num passe de mágicas, onde meteriam a mão dentro da cartola, de onde sairia cheia de ofertas de emprego;

Ninguém sugere que possuímos um sistema carcerário falido e que não nos oferece nenhuma solução para os criminosos que são encaminhados para os presídios, onde ficam confinados, em grande quantidade, em espaços mínimos e completamente ociosos.

Ora a sociedade precisa mudar também sua bases e compreender que possuímos um Estado que tem bases no racismo, na ogeriza à diferença social. Como pode haver um equilíbrio social, onde existem tantos preconceitos e falta de compreensão?

O ser humano não é compreendido sem estudos sérios e com negligência.

O que vemos hoje em dia é um sentimento de "olho por olho, dente por dente", quando não de medo quase absoluto.

É desta forma que vamos conseguir atingir um patamar social satisfatório, onde as pessoas possam ter vidas dignas?

Temos que acabar com a mania de querer resolver os problemas de nossa sociedade com espírito vingativo, pois isso não nos deixa vislumbrar um caminho de veras produtivo e evolutivo para a mesma. Somos acostumados a buscar que os criminosos paguem com sofrimento atroz os crimes que cometeram, num sentimento de verdugo não muito diferente daquele que alimentou seu crime. Onde isso pode ajudar na melhoria dos resultados? Perder um parente para a violência é doloroso e nos provoca a revolta, mas isso não pode ser como um combustível inflamável, que só nos leva a tomar atitudes que nos colocam lado a lado com o próprio criminoso. E aí, o que seremos nós, senão tão reprováveis quanto eles? Nós que nos consideramos tão civilizados, será que realmente o somos? Os atos desumanos praticados por eles são condenáveis e muitas vezes assustadores, mas isso nos autoriza a sermos tão desumanos quanto eles? Essa atitude realmente soluciona o problema? A experiência só nos mostra que não. Que futuro esperamos criar para nossos filhos e netos, agindo desta forma?

Sempre achei que o sistema carcerário caminha no sentido contrário. O ideal era que os presídios fossem rurais e profissionalizantes, com acompanhamento psicológico e educacional, para que quem entrasse neles, ao mesmo tempo em que fosse produtivo, preparando a terra, plantando e colhendo para beneficiar a população lesada por eles, também pudesse melhorar como ser humano, estudando e aprendendo uma profissão, pois apenas ficar encarcerado por anos, num lugar onde todos e os piores vícios são alimentados, e depois ser jogado na rua com as mesmas, ou até piores condições do que quando entrou, não nos pode ser alvo de qualquer esperança de melhoria e muito menos recuperação.

Enquanto isso, as pessoas reclamam da violência. Mas não param para pensar diferente.

postado por Alexander Zimmer 8:54 PM



Sexta-feira, Agosto 25, 2006


ORIENTE MÉDIO

Passamos por um momento mundial crítico. O que recebemos pelos meios de comunicação diz respeito tristemente à intolerância religiosa, preconceito racial e social, interesses econômicos sobrepondo-se ao valor da vida...

Quando acompanhamos as guerras que devastam a região do oriente médio há centenas de anos, sobretudo depois da descoberta do petróleo naquela região, a intolerância religiosa salta aos olhos... Ou pelo menos é assim que os meios de comunicação procuram nos mostrar. Foi parando para pensar sobre isso, que comecei a questionar todo este ódio existente e realimentado constantemente no oriente médio. Talvez, a motivação deste ódio dos árabes, palestinos, afegãos etc., em relação aos norte-americanos e a Israel não seja somente religiosa e, na verdade, religiosa seja mesmo uma pequena parte; a verdadeira motivação seja a tomada do poder, pela tomada de controle do petróleo mundial.

Sabemos que isso é uma realidade em relação ao governo norte-americano, mas começo a considerar que também seja por parte dos governos daquela parte do mundo. A diferença é que os meios de comunicação e os órgãos oficiais procuram incutir em nossas mentes, tão distantes de lá, que eles revidam e lutam desesperadamente contra os EUA e Israel, movidos por um fanatismo religioso, que deve mesmo existir, mas a meu ver está longe de ser o grande motivador destes embates sanguinários que viemos acompanhando. Provavelmente, da parte deles o interesse em defender seu petróleo seja tão grande quanto a ganância e a ambição norte-americana de possuir total controle sobre o mesmo. Apenas nos é mostrado que aqueles povos são movidos por um fanatismo febril, para que os consideremos selvagens, primitivos, menores e indignos de terem este poder nas mãos, facilitando assim nosso apoio não só a tomada de controle dos poços de petróleo pelos ocidentais, como também pelo massacre daqueles povos, incutindo e alimentando em nós o medo de que um povo tão ¿violento¿ e ¿irascível¿ deva mesmo ser estirpado da humanidade, ou se possível nem mesmo serem considerados humanos.

Ora, está na hora mesmo de exercermos nossa maior dádiva como seres humanos - nossa capacidade de raciocínio - e começarmos a pensar por nós mesmos, questionando as atitudes, as propagandas e os pontos de vista tanto dos ocidentais, quanto dos orientais e da mídia, que posa de veículo sem compromisso nenhum com essa ou aquela opinião, mas que na prática serve de instrumento para que se cometa tantas atrocidades ¿justificadas¿.

Agora mais essa guerra contra o terrorismo; uma justificativa absurda para que se implemente maiores atrocidades, num massacre sem precedentes. É aí que eu questiono: o povo judeu sofreu uma perseguição implacável por parte dos nazistas durante a Segunda Guerra. Não deveriam ter isso como lição humanitária, ao invés de exercerem a mesma postura que seus algozes, ao tratar das diferenças com os povos islâmicos? O que vemos é a mesma coisa que vimos durante a Segunda Guerra, só que sendo praticada agora por quem antes foi vítima. E com total apoio do governo dos EUA, cujos interesses vão muito além de uma eliminação do terrorismo; o objetivo é o controle do petróleo e o estabelecimento de uma hegemonia mundial norte-americana.

Não sou anti-semita, como muita gente pode vir querer me taxar, depois de tudo que eu disse. Sou mesmo simpatizante de sua religião, estudante de Kabalah e possuidor de bons amigos judeus, que muito estimo. Apenas me coloco no direito de questionar quem quer que seja, pois sou um ser humano dotado de razão e que está acompanhando o que acontece ao redor do mundo e, por isso mesmo, tem o direito supremo de exercer sua opinião. Diante de tantas atitudes absurdas, desmedidas e desumanas, acursarem-me de anti-semita seria uma piada... E de muito mal-gosto.




postado por Alexander Zimmer 12:17 PM



Sexta-feira, Agosto 18, 2006


SOMOS MULTIDIMENSIONAIS
Uma Visão Quântica da Vida


Todas as pessoas já pararam um dia e se fizeram as clássicas perguntas: De onde vim? Quem sou eu? Para onde vou? A princípio estas perguntas parecem nos deixar sem respostas, ou quando muito, uma teoria científica biológica.

Mas no âmago, quem somos? De onde vêm nossa capacidade de pensar, nossa individualidade e todas aqueles relampejar de algo que existe bem no fundo de nosso ser, mas nada conseguimos ver, a não ser este relampejar?

A busca humana para uma compreensão de si mesmo é tão antiga quanto a própria humanidade. Muito foi pensado e discutido sobre o assunto, que extrapola as barreiras da filosofia e, hoje em dia, transcende este campo completamente. Talvez o fato de nos encontrarmos num mundo cada vez mais caótico, onde as possibilidades se esgotam velozmente, onde nos chocamos uns contra os outros e contra o nosso próprio meio ambiente, tenha tornado esta busca mais importante do que nunca. E então, nos olhamos no espelho, ou paramos numa esquina, como se quiséssemos parar tudo ao nosso redor e nos fazemos a incansável pergunta: quem sou eu?

Talvez, esta pergunta esteja mais intimamente ligada a questão da realidade do que imaginamos até hoje. Como assim realidade? Eu não vejo a realidade com os mesmos olhos que via até alguns anos atrás. Imaginamos a realidade como algo que vivemos no nosso dia à dia, como algo inegável e evidente. Mas e se eu disser que ela varia? Sim, a realidade varia, não apenas numa questão de ponto de vista, mas ela é múltipla. A realidade é na verdade uma gama incontável de possibilidades multifacetadas, mas que não exploramos simplesmente por não tomarmos conhecimento destas possibilidades. Estamos tão engajados nesta possibilidade, que a consideramos a única. Estamos imersos, com nossos sentidos limitados e, enquanto permanecemos "satisfeitos" com o que esta limitação nos oferece, não podemos sequer considerar a possibilidade de uma extensa variedade de realidades. Estamos presos a nossa crença nesta realidade como única. Mas como sair disto e conseguir abarcar a realidade sobre as realidades múltiplas?

Somos seres multidimensionais. O que é isso? Bem, somos seres com capacidades além do que normalmente vivenciamos. Dormimos, acordamos, nos alimentamos, trabalhamos e voltamos a dormir, sem nunca questionarmos esta rotina. Será que estamos aqui só para isso? Provavelmente continuaremos presos nesta rotina até começarmos a nos perguntar sobre a real validade desta, até começarmos a nos fazer exatamente esta pergunta: será que é só isso? A partir de então, começamos a abrir caminho em direção a nosso verdadeiro Eu, o ser multidimensional.

Quantas vezes você não acordou durante a noite, de um sonho estranho e se perguntou como aquilo tudo poderia ser tão real, sendo apenas um sonho? Muitas, não é? Pois é, eram tão reais, porque não eram apenas sonhos, mas vivências multidimensionais. Quando dormimos, não apenas "apagamos", desligamos nosso corpo, mas realizamos algo chamado de projeção da consciência. Saímos de nosso próprio corpo, sem deixarmos de estar intimamente ligados a ele. Na verdade, funciona como um desdobramento de nosso corpo, como se esta projeção da consciência nada mais fosse do que uma extensão de nós mesmos, que se desenrola durante o nosso estado de sono. Pois é exatamente isso que ela é. Ao projetarmos, tomamos conhecimento de nossa multidimensionalidade e passamos a ter consciência de múltiplas realidades, que são como lâminas de existência. Cada lâmina de realidade é um aglomerado de múltiplas possibilidades. Esta nossa realidade nada mais é do que uma lâmina de realidade. Mas se as outras são realidades, por que não a vivenciamos como esta, mas só durante estas projeções de consciência? Muito simples. Primeiro: porque cada realidade funciona de uma forma, tem suas próprias leis, embora existam muitas extremamente semelhantes a esta; segundo: porque nós não acreditamos nelas. Sim, é verdade! Quando tomamos conhecimento de que existem e passamos a acreditar nelas, elas são perfeitamente acessíveis em vigília. Mas quando falo em acreditar é trazer esta crença para sua vivência no dia à dia, o que é bem difícil a princípio. Pois, como fazer isso? Como despertar nossos sentidos além do que eles são condicionados por toda a nossa vida?

Existem diversas formas de se fazer isso, uma delas é pela própria projeção de consciência consciente, que gradualmente vai te dando a confiança no que vivencia, tornando estas possibilidades a cada dia mais reais para você. Porém, é preciso que estas projeções sejam conscientes e não apenas em estado de sono. O que se consegue com disciplina e treinamento de determinados exercícios ensinados em institutos de projeciologia. Outra forma é através de meditação e Yoga; a conjunção das duas práticas chega a ser espetacular, quando levadas a sério e executadas com disciplina e propósito. Há pessoas que já tem essa "abertura" naturalmente desenvolvida, bastando um simples relaxamento, para que consigam projetar, ou expandir sua consciência à outras dimensões, como é o caso de alguns clarevidentes, que conseguem ver o que a maioria das pessoas não consegue; alguns até conseguem ver o futuro e o passado de outras pessoas.

Aqui tocamos em um outro assunto, o tempo, que acreditamos ser linear - passado, presente, futuro, mas que na verdade é paralelo e também multifacetado apresentando inúmeras variáveis que funcionam paralelamente sobrepondo-se, substituindo-se e mesclando-se continuamente. São como bolhas dentro de bolhas, ou dezenas de linhas de tempo funcionando em conjunto, no mesmo momento, onde acontece o presente, o passado e o futuro como se estivessem no presente. Este é um dado importante, pois faz parte de um quadro maior, por onde transitaremos quando nos tornarmos multidimensionais conscientes, estando a um passo de assumirmos nossa realidade como seres existenciais, usufruindo das múltiplas realidades e modificando as lâminas de acordo com nossa vontade e necessidade, como co-criadores. Sim, é verdade! Podemos modificá-las. Estas lâminas de realidade também podem ser chamadas de hologramas quânticos.

Nossa Ciência ainda engatinha no que se relaciona a hologramas. Sabemos ainda muito pouco sobre eles. Poderia mesmo dizer, que sabemos apenas o básico do básico, uma ínfima partícula da enorme dimensão que este assunto possui. Nós vivemos num grande holograma quântico. Isso mesmo! Nossa realidade é um grande e extremamente detalhado holograma quântico, portanto não é mais real do que um sonho, nem menos real do que uma rocha. Porque então ele é tão "real" para nós? Por dois motivos. Primeiro: Porque vivemos nele; ele é a nossa lâmina de realidade e a qual estamos mais do que acostumados a viver, embora de forma extremamente deficiente, pois acreditamos que é imutável indiferente a nossa vontade e somos escravos dela; segundo: porque a complexidade criativa deste holograma é tão espetacular, que ela possui todos os dados necessários para que não se coloque em dúvida sua existência em todos os sentidos tridimensionais.

Acordamos todos os dias, tomamos o café da manhã e saímos para trabalhar, praticar esportes e nunca questionamos o que vemos, ouvimos, sentimos. A realidade pode ser mais maleável do que jamais imaginamos, mas simplesmente ignoramos essa idéia, por parecer roteiro de um filme de ficção, ou apenas um episódio de "Além da Imaginação". Só que tudo isso é mais verdadeiro do que queremos acreditar. Esta realidade é um grande holograma, funcionando de acordo com as leis estabelecidas para ele por seu criador, mas de forma nenhuma imutável. Somos seus escravos porque acreditamos nisso.

Nos locomovemos através dele, acreditando que estamos inevitavelmente a sua mercê, quando a realidade é bem diferente. Com a nossa tomada de consciência de nossa multidimensionalidade, natural e lentamente caminharemos para a compreensão de que somos seres co-criadores e que ao invés de sermos legados a um caminho inexorável, somos sim, seres que a princípio habitam este holograma, mas que não precisamos estar sujeitos a ele; podemos modificá-lo de acordo com nossa vontade, embora sempre dentro de uma responsabilidade pelo que fazemos e criamos.


postado por Alexander Zimmer 12:32 PM



Quinta-feira, Agosto 03, 2006


BRASILEIRO

Assisto um documentário sobre Glauber e volto a me dar conta, como anos atrás, da necessária e vital existência do Cinema Novo, com toda sua clareza sobre a situação brasileira que se arrasta há 500 anos, repetindo-se, como um câncer sempre profetizado por Glauber, na falta de trabalho de um povo que trabalha incessantemente, em busca de saciar a miséria, sem que esta nunca deixe de lhe forrar o leito, invadindo até mesmo seus próprios sonhos. Lá fora ouço os berros dos que torcem pelo seu time, indiferentes, ou simplesmente anestesiados de sua sina, embebidos de sua não cultura, porque quando há necessidades acerbas, não sobra muito espaço para se pensar, viver cultura. Mas o povo brasileiro é teimoso e burla até mesmo essa impossibilidade, negando a insistência canalha de ignomínia, da safadeza e da ineficácia da ética na vida de tantos faladores e prometedores, que arvoram-se na corrida pelas cadeiras de uma câmara, de um plenário, de um certo planalto.
Perambulo pelo quarto, pensando em quão ínfima pode ser minha existência, minha necessidade de pensar, de querer, de almejar alguma mudança; a história tenta me puxar para baixo, me fazer acreditar que é inevitável pensar neste país, pois a mesma história que me tenta arrastar, ri-se de mim, numa afirmação silenciosa de que repetir-se-á inevitavelmente. Mas se não penso, quem sou? Que diferença existirá entre eu e outro que não pensa, ou que chafurda sem saber em todo esse lamaçal?
De repente me percebo grave, triste, quase uma crise, mas é apenas uma avassaladora onda de pensamentos, de ebulição ética misturada a revolta de um povo de quinhentos anos, da qual sou parte inevitável e, por incrível que pareça, orgulhosamente. Penso Brasil, penso povo. O Brasil é seu povo e seu povo precisa pensar Brasil, senão ele não há. Então e sinto encurralado em mim mesmo. Como?
Sento e me entrego numa catarse forçada, olhando para a parede. Me sinto um pobre ator, perdido em meio a tanta repetição, num ensaio eterno, que nunca se converte em estréia, pois a estréia significa o fim da corrupção, das mamatas, do tráfico de influência, dos privilégios e, de todas benemerências que só servem a uns poucos ¿ilustres¿, enquanto a maioria almeja o quadro surreal, que bem poderia ter sido pintado pela Tarsila... Talvez até tenha sido e nós não soubemos interpretar adequadamente.
É interessante... Fugimos da estética hollywoodiana com o cinema novo, porque estávamos no meio da fogueira e preciso era mostrar quem éramos e, acho eu, nunca deixamos de ser, pois continuamos sendo, e acabamos voltando hoje a seguir uma estética que vem de fora. Será que é porque estamos anestesiados? Será que é porque só quem realmente tem tempo ($) para fazer e estudar cinema hoje em dia é quem vem da ¿Classe Média¿ e não conhece a realidade de quem viveu ou vive nos suburbios? Ou será ainda, que é a política anti-educação da educação pública, que está acabando conosco? Aluno não pode mais repetir de ano; mesmo despreparado tem que passar de série (!?); professores ganham salário de miséria. E ainda inventam um sistema de cotas, quando deveriam era criar um curso pré-vestibular gratuito e eficiente, para aqueles que acabaram de sair das escolas públicas e não tem preparo para encarar o vestibular; deveriam melhorar a educação nos colégios públicos, para que quem está cursando agora, possa chegar ao vestibular preparado. Agora, sistema de cotas? Ora, isso é um preconceito disfarçado de boa ação, que só pode trazer resultados funestos para nosso país, com pessoas despreparadas entrando para faculdades e tomando as vagas de pessoas que poderiam realmente aproveita-las. Ora, não se resolve o problema pelo final, mas pela origem, neste caso, melhorando-se a educação fundamental, dando base para os estudantes que não podem pagar um colégio particular!
Olho o marketing tresloucado que nos invade inexoravelmente por todos os lados e acabo achando que ficamos é meio burros, acreditando em toda essa parafernália tecnológica que nos afronta, fascinando e alimentando nossos desejos, como se fossem uma nova dádiva olímpica, para atenuar tanta miséria. Será que atenua? O que será então a violência? Encurralada está cada vez mais, a classe nababescamente rica, que insiste em se auto-denominar classe média, como a querer disfarçar sua riqueza, com medo de sua própria cegueira e ambição desmedida, travestida da mesma tão temida violência, que crescente parece nos emboscar cada vez mais?
E ainda tem gente que pensa que Arte não se mistura com política! Se a Arte é pura política! Pobres seres ¿inpensantes¿...
Folheio um livro, troco de canal, vejo um pouco de ¿Saia Justa¿ e me percebo meio sem ação. Começo a achar que penso demais. Talvez não devesse pensar tanto; talvez eu pense sozinho; talvez não faça sentido pensar. Será? Os questionamentos de um artista, um atormentado artista em sua brasilidade, em sua realidade social. Neste país não se consegue ir longe, se você não faz parte das ¿panelinhas¿, se você não faz parte da minoritária classe dominante, se alguém não te sorri e resolve fazer uma caridade, que na maioria das vezes nem é caridade, pois vem acompanhada de uma cobrança sem vergonha e aviltante, que só quem passa pela situação, sabe como é humilhante e desestimulante.
Acho mesmo que meu problema é esse: pensar demais. Não consigo ser o cordeirinho, que segue seu pastorzinho e nada questiona. O pobre cordeirinho de fato, ainda assim é bem tratado e com dignidade por seu pastor. Estamos longe disso. Até porque, nós pastamos enforcados num cercado de impostos, enquanto os supostos pastores tomam marguerita num paraíso fiscal.
Pois é, meu mal é pensar. E pensar já foi um motivo de admiração neste país! Nossa! Que troca de valores.
Enfastiado, mesmo revoltado, me sinto mais brasileiro do que nunca, simplesmente porque ainda sinto a esperança gritando aqui dentro. Olho o céu e percebo o quanto é grande o universo, o quanto somos pequenos e precisamos aprender. Então, num riscar luminoso de raciocínio, a ficha cai. Percebo que estamos caminhando, por pior que as coisas possam parecer. Sim, estamos seguindo em frente e aprendendo a não sermos tão egoístas, através dos efeitos ruins que estamos recebendo em nossas próprias caras, frutos de nossos próprios erros que viemos plantando pelo caminho. É... Dizem que cada povo tem o governo que merece. Será que não está na hora de fazermos por merecer algo melhor? Bom, melhor será começarmos a modificarmos a nós mesmos, para que possamos começar a exigir que ¿eles¿ correspondam a nossas espectativas e assim tenhamos um país de verdade, com pessoas de verdade e algo pela qual poderemos nos orgulhar como seres humanos.

postado por Alexander Zimmer 1:38 PM


P.E.R.F.I.L
Alexander Zimmer
Ator, Escritor, Massoterapeuta, Tarólogo
Touro - Ascendente em Aquário - Lua em Libra
Som: Depende do estado de espírito.
Esportes: Armação Ilimitada
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