O ouro brilhando no escuro
Cheio de promessas silenciosas
Que palavras não macularam
Nem sonhos rasgados
A prata reluzente ao luar
Como teu sorriso nas lembranças
Me consumindo por dentro
Açoitado por chamas ardentes
Todos os caminhos levam ao mesmo destino
Onde só voam borboletas de aço
O amor rasteja e as borboletas voam
À beira do abismo
O amor rasteja e as borboletas voam
Um desejo suspirado na noite
Um alívio, um suplício
A alma inquieta lamenta
Pela estranheza da vida
Enquanto todos os caminhos levam ao mesmo destino
Onde só voam borboletas de aço
O amor rasteja e as borboletas voam
À beira do abismo
O amor rasteja e as borboletas voam.
Você é seus pensamentos.
Você é seus desejos.
Você é suas ações.
Você é o melhor que você pode ser.
Você é o pior que se permite ser.
Não há mais ninguém que possa fazer o que você faz.
É seu trabalho vitalício ser você mesmo, para sempre.
Mantenha sua própria luz especial,
Mantenha-a cada vez mais brilhante
e o mundo há sua volta, será um lugar mais luminoso.
Trecho do livro
Vivendo Buda, Vivendo Cristo
Thich Nhat Hanh.
Este é um documentário realizado pela Nation Earth Organization e narrado pelo ator Joaquim Phoenix, para levar o conhecimento até as pessoas através do mundo, ou seja, nos ajudar a sair de nossa IGNORÂNCIA.
Que cada um tire as suas próprias conclusões.
As nossas descobertas são sempre pessoais e aquilo que fazemos com elas também. Mas as consequências de nossos atos podem ser de larga escala e atingir a todos.
Quem, como São Francisco, tiver olhos de amor vai entender este apelo; vai compreender o erro em que estamos envolvidos e buscar a mudança, mais do que necessária e de acordo com o epiteto de Humanidade, que levamos em nossa fronte.
Por vezes, o acordar de um ser é muito doloroso e, por isso, peço desculpa aos mais sensíveis, mas não posso deixar de passar isto adiante. Sinto-me na obrigação de o fazer a quem me quiser ouvir; é uma responsabilidade.
Acho que somos também responsáveis, numa parcela bem grande, quando nos abstemos de, pelo ao menos, tomar conhecimento.
Podem abrir; não tem virus. Abs. postado por Alexander Zimmer 1:05 PM
Quarta-feira, Fevereiro 14, 2007
OS ESCRAVOS DA CONTEMPORANEIDADE
A grande comoção do momento é o caso João Hélio. Existem várias manifestações em forma de correntes na internet, avatares com flores no lugar das fotos dos proprietários, gente dando opinião nos programas como o do Wagner montes, jornais diversos etc.
Vou ser atrevido o bastante para afirmar que todas essas são atitudes covardes de quem está protegido pelo conforto de seu lar, e assim, fica fazenbdo proclamações e dando veredictos, cuspindo impropérios e sentenciando. Atitude covarde, sim! Porque é muito fácil ficar em casa, reclamando, como se fosse um paxá. Enquanto isso, o Brasil se degrada cada vez mais, porque NÓS permitimos que um bando de safados, verdadeiros ladrões e assassinos da pátria, façam o que fazem; roubem, desviem verba pública, super faturem obras, criem impostos sem sentido e nos enfiem goela abaixo sua arrogância e cara de pau de exigir respeito. Que respeito? Quem exiege respeito tem antes que respeitar. Oha a situação deste país. E nós baixamos a cabeça e aceitamos, como boas "peças" vendidas nas feiras dos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX. Sim. Se instucionalizou a escravidão; ela não foi abolida. Aboliram aquele tipo de escravidão e adotou-se a escravidão disfarçada.
- Venha! Eu te dou um emprego, você trabalha que nem um condenado, prejudica sua saúde e de sua família e eu te pago estas migalhas, o que está muito bom, pq é o que vc merece. Acha pouco? Então vai estudar, vagabundo.
Como? Eu pergunto. Como? As piores escolas européias são melhores do que as escolas particulares brasileiras. E as escolas que temos aqui simplesmente não funcionam. Nosso sistema de ensino é falido! Eu posso falar sobre isso, porque dei aulas de teatro para o ginásio em escola estadual e o que vi me apavorou, diante do futuro que pude vislumbrar para este país. Adolescentes de 7a. e 8a. séries que não sabem ler! Isso mesmo! Quando sabem, não sabem o que estão lendo; é puramente um processo mecânico. Isso numa escola de Copacabana! Imagina em escolas do subúrbio. Isso tudo, por que? Porque desviam-se verbas, para que os políticos, protetores dos senhores feudais da atualidade, tenham suas mansões, suas férias garantidas no Caribe, seu auxílio paletó, seu cheque combustível, seu auxílio compras, suas passagem aéreas de "direito" e ainda tenham que receber o "respeitável" salário de no mínimo R$ 12.000,00, quando nós, os plebeus, temos que nos virar para pagar escola, fazer compras de mantimentos, pagar Luz, Água, Gás, IPTU, comprar material escolar e ainda roupas para que possamos sair nas ruas, com míseros e infames R$ 300,00, para o qual temos que trabalhar o mês inteiro, 8 a 10 horas por dia, Enquanto a canalha trabalha 5 dias na semana - quando aparecem 3 é muito - e pouco mais do que 4 ou 5 horas.
QUE PAÍS É ESSE? O país que merecemos, porque não nos mexemos e permitimos que isso aconteça. Porque não vamos no plenários e os expulsamos de lá. Porque não tomamos a frente quando vemos um mendigo, uma criança na rua e nada fazemos. É mais confortável ficar sentado em casa, vendo novela.
- Por que se importar com um filho que não fui eu quem colocou no mundo?
Pois é, porque se importar? Essa pergunta não devia só ficar nas bocas das pessoas; deveria ser refletida, meditada. Como eu disse no post anterior, a essência das religiões sempre pregou a mesma coisa: Amor ao próximo. Alguém já se deu ao trabalho de parar e perguntar o porque? Já parou para questionar? Enquanto formos todos tão violentamente egoístas, teremos que conviver com situações como a do menino João Hélio, que paga por nossa omissão criminosa de todos os problemas de nosso país.
Ninguém está a salvo. Uma hora esta violência também vai bater a sua porta. E o que você vai fazer? Provavelmente apenas chorar e lamentar dolorosamente, porque é a isso que nós estamos todos acostumados; a ficar no nosso cantinho e se deixar castigar pelos nossos "senhores".
Peço desculpas pelo que vou dizer, até porque não sei se vou me fazer compreendido.
Sabe, eu tbm fiquei extremamente chocado com o ocorrido, mas como muitas pessoas, também sou adepto da doutrina dos espíritos e estudante de Teosofia (Não confundir com Teologia), portanto sempre me margeio pelo conhecimento que estas me deram sobre o universo e o processo de encarnações, assim como a Lei de Causa e Efeito, que nós conhecemos tbm como Karma. Pois bem, diante disso, sempre paro para pensar, qdo uma situação de extrema violência se apresenta. É muito comum que isso infle nosso emocional e, muitas vezes, o racional se deixa guiar pelas emoções, o que nos leva a tomar atitudes das quais nos arrependeremos mais tarde.
Não posso concordar que a criança deva ser punida como adulto, seja qual for o crime que ela tenha cometido. Acredito, sim, que ela deva ser internada e tratada rigorosamente por profissionais da psicologia, além de ter um acompanhamento espiritual, coisa que hj em dia, num mundo tão materialista e avesso aos conhecimentos COMPROVADOS por estudos CIENTÍFICOS operados por pessoas que resolveram explorar o que a Ciência ortodoxa evita, por não ver nada além da matéria.
Nós sabemos que por mais duro que isso possa parecer, mesmo às vistas da dor que nos provoque, a verdade está inevitavelmente acorrentada a Lei do Karma, onde somos obrigados a aprender onde erramos, através da experienciação da dor que infringimos ao outro. Sabemos que não se trata de punição, mas sim de tomada de consciência das consequências de nossos atos.
Os criminosos devem ser presos e julgados. Talvez nosso código penal esteja mesmo precisando ser reavaliado, mas não deveria ser reavaliado tbm nosso sistema carcerário? Será que o objetivo deste sistema é atingido, da forma como ele funciona hj?
Como diz o ditado: Mente ociosa, playground do diabo.
Por que não estabelecermos um sistema carcerário, onde os condenados possam trabalhar, aprender uma profissão e assim serem úteis à sociedade? Penitenciárias rurais seriam uma opção muito mais viável do que o que temos hoje.
O resultado de nosso atual sistema é a saída de facínoras ainda piores do que quando entraram. Em que isso melhora nossa sociedade? Qual o verdadeiro objetivo do cárcere? Qual a verdadeiro objetivo da sociedade no que concerne a tudo?
Hoje temos uma sociedade onde tudo que é básico ao ser humano é negado às pessoas que não pertencem às elites. Temos um povo cada vez mais brutalizado e acuado, para que os interesses de uma minoria possam ser mantidos. Não há educação, não há trabalho e, até mesmo a diversão está sendo ofertada de forma distorcida e limitada a padrões baixos e sem um conteúdo edificante. O resultado é o que estamos vendo cada vez mais presente em nossas vidas no dia-à-dia. É a polícia que vai resolver? É a violência contra a violência que vai resolver? Basta olhar a história da humanidade, para vermos o quanto crescemos moral e fraternalmente; praticamente nada.
Qualquer religião na sua essência, ou seja, sem a deturpação dos interesses de uns poucos, prega a compreensão, a irmandade, a fraternidade, o Amor. Nós nunca quisemos seguir esta alternativa. Heis o resultado.
João, uma criança sim, porém, acima disso, um espírito, que como qualquer outro cometeu erros e atrocidades em outras encarnações. Isso sem falar de seus pais, que podem estar passando por retificações emocionais de atos do passado, cujos detalhes não nos pertencem neste momento. Sim, eles precisam agora de apoio, de todo apoio que pudermos dar, pois este momento é mais do que difícil para eles. E é isso que devemos fazer, sem julgamentos. Essa dor é de todos nós.
Não estou sendo frio. Compreendo a dor e também fiquei chocado com o absurdo de tais atos. Mas não podemos nos tornar tão selvagens quanto os criminosos por isso. Precisamos estudar mais, observar mais a vida, para que possamos tirar alguma conclusão, que esteja mais próxima da realidade das coisas.
O maior questionamento quando a Lei de Reencarnação está no fato de não nos lembrarmos do que fizemos. Mas pergunto: será que haveria algum mérito em sabermos nossos erros e assim optarmos agir certo, simplesmente porque queremos corrigí-los? E ainda, será que conseguiríamos conviver com todas as lembranças funestas de nossas atrocidades do passado (Porque todos nós as cometemos!), sem que isso nos levasse ao desespero, ao trauma, à depressão, transformando esta nova vida num pesadelo mental e emocional?
Deus (Ou qualquer outra nomenclatura humana que vc queira dar), nos deu a benção de não nos lembrarmos e a oportunidade de novas encarnações para que pudéssemos recomeçar, resgatando nossos erros e optando acertar, porque amadurecemos espiritualmente e respeitamos de fato nossos semelhantes, compreendendo a irmandade que verdadeiramente é a raça humana, e não porque queremos simplesmente nos ver livres dos erros do passado.
É preciso que aprendamos a não agir de forma impulsiva e nem de forma fria e calculista. É preciso que saibamos compreender as leis que regem o universo e usarmos de bom senso, mesmo diante de casos os mais absurdos e desumanos, simplesmente porque o que nos diferencia dos criminosos são os atos que estes cometem e a compreensão que temos da vida, que nos faz seguir caminho mais condizente com o verdadeiro objetivo do ser humano, ou seja, se melhorar.
Vocês esperam uma intervenção divina
Mas não sabem que o tempo agora está contra vocês
Vocês se perdem no meio de tanto medo
De não conseguir dinheiro pra comprar sem se vender
E vocês armam seus esquemas ilusórios
Continuam só fingindo que o mundo ninguém fez
Mas acontece que tudo tem começo
Se começa um dia acaba, eu tenho pena de vocês
E as ameaças de ataque nuclear
Bombas de neutrons não foi Deus quem fez
Alguém, alguém um dia vai se vingar
Vocês são vermes, pensam que são reis
Não quero ser como vocês
Eu não preciso mais
Eu já sei o que eu tenho que saber
E agora tanto faz
Três crianças sem dinheiro e sem moral
Não ouviram a voz suave que era uma lágrima
E se esqueceram de avisar pra todo mundo
Ela talvez tivesse um nome e era: Fátima
E de repente o vinho virou água
E a ferida não cicatrizou
E o limpo se sujou
E no terceiro dia ninguém ressuscitou
"Fátima"
Composição: Fê Lemos, Renato Russo
Nada mais atual... Inté! postado por Alexander Zimmer 8:23 AM
Terça-feira, Fevereiro 06, 2007
Um ponto de reflexão e de convergência para nós, que parecemos tão perdidos em nosso pequeno planeta.
Luiz Claudio Latgé, diretor de jornalismo da Rede Globo, enviou à imprensa um comunicado sobre a demissão do repórter Rodigo Vianna, que divulgou ontem uma carta criticando a direção de emissora na cobertura das eleições.
Segundo a direção da Globo, Rodrigo Vianna encaminhou a mensagem após ter sido informado pela emissora de que seu contrato não seria renovado.
Leia a íntegra da carta de Latgé:
O repórter Rodrigo Vianna foi informado hoje de que o contrato dele, que termina dia 31 de janeiro, não será renovado. A comunicação com um mês de antecedência é uma exigência do contrato. Está claro que o Rodrigo preparou-se para este momento, a ponto de ter uma longa mensagem pronta a ser divulgada. Os motivos da não renovação nada têm a ver com a cobertura das eleições, como ele especula. Em respeito a ele, jamais pretendi torná-los públicos nem farei isso agora. Rodrigo, porém, nem os quis conhecer. Ao ouvir de mim que o contrato não seria renovado, saiu intempestivamente de minha sala e enviou um e-mail para a Redação.
Rodrigo deve ter pensado que poderia encontrar no ataque aos colegas e na mentira uma saída nobre. Com essa atitude, ele pareceu querer se defender de acusações que jamais passaram pela nossa cabeça. A pergunta que fica é a seguinte: se a integridade dele é tão elevada, como ele supõe, por que não se demitiu anteriormente, convivendo durante meses com uma situação que ele classifica de insuportável? Não o fez porque tinha como certo que seu contrato seria renovado. Para que não perdesse o emprego por motivos menos nobres, preferiu repetir, quase literalmente, acusações que jornalistas mal-intencionados já nos tinham feito. Talvez tenha pensado que, assim, sairia como mártir. Deu a entender que partiu dele a iniciativa de sair, quando na verdade todos os sinais que emitia eram de que queria ficar. Lamento que tenha perdido o equilíbrio e tentado transformar um assunto funcional interno numa questão política, que jamais existiu. Sinto não ter percebido antes que, intuindo que poderia ser desligado por outros motivos, construa essa "justificativa política", sem base na realidade. Foi um comportamento indigno. E não é justo com o trabalho de todos deixar sem resposta as críticas que ele nos faz.
Fizemos uma cobertura eleitoral intensa e democrática, com a abertura de espaços em todos os nossos telejornais para todos os partidos, que mais de uma vez reconheceram nossa isenção e a importância do serviço prestado ao público. Não inventamos uma pilha de dinheiro na mesa da Polícia Federal. Já saímos a público antes para refutar estas teorias conspiratórias produzidas por grupos políticos e jornalistas descompromissados com a verdade.
Nosso noticiário em nada foi diferente dos demais veículos de imprensa de importância. De setembro a outubro, demos 20 reportagens sobre Abel Pereira e Barjas Negri. Todos os assuntos foram investigados, sim, e noticiados segundo o seu grau de relevância. Tudo o que fizemos foi exposto ao juízo do público em nossas edições diárias. Nossa isenção jornalística foi elogiada em artigos até por veículos de grupos concorrentes.
Não há nada em nossa conduta ou em nossas decisões editoriais que tenha nos afastado do bom jornalismo e muito menos que nos envergonhe.
A confusão de idéias que o Rodrigo Vianna expressa deve ter razões pessoais e compromissos que não nos cabe julgar. Peço desculpas aos colegas pelos ataques e ofensas por ele dirigidos.
Demitido, Rodrigo Vianna, repórter da TV Globo, critica a direção da emissora.
Leia também:
Em nota, a TV Globo diz que Rodrigo Vianna encaminhou a mensagem após ter sido informado pela emissora de que seu contrato não seria renovado.
Leia íntegra da carta de Rodrigo Vianna:
LEALDADE
Quando cheguei à TV Globo, em 1995, eu tinha mais cabelo, mais esperança, e também mais ilusões. Perdi boa parte do primeiro e das últimas. A esperança diminuiu, mas sobrevive. Esperança de fazer jornalismo que sirva pra transformar - ainda que de forma modesta e pontual. Infelizmente, está difícil continuar cumprindo esse compromisso aqui na Globo. Por isso, estou indo embora.
Quando entrei na TV Globo, os amigos, os antigos colegas de Faculdade, diziam: "você não vai agüentar nem um ano naquela TV que manipula eleições, fatos, cérebros". Agüentei doze anos. E vou dizer: costumava contar a meus amigos que na Globo fazíamos - sim - bom jornalismo. Havia, ao menos, um esforço nessa direção.
Na última década, em debates nas universidades, ou nas mesas de bar, a cada vez que me perguntavam sobre manipulação e controle político na Globo, eu costumava dizer: "olha, isso é coisa do passado; esse tempo ficou pra trás".
Isso não era só um discurso. Acompanhei de perto a chegada de Evandro Carlos de Andrade ao comando da TV, e a tentativa dele de profissionalizar nosso trabalho. Jornalismo comunitário, cobertura política - da qual participei de 98 a 2006. Matérias didáticas sobre o voto, sobre a democracia. Cobertura factual das eleições, debates. Pode parecer bobagem, mas tive orgulho de participar desse momento de virada no Jornalismo da Globo.
Parecia uma virada. Infelizmente, a cobertura das eleições de 2006 mostrou que eu havia me iludido. O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu.
Pode ser que algum chefe queira fazer abaixo-assinado para provar que não aconteceu. Mas, é ruim, hem!
Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto".
Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.
Na reta final do primeiro turno, os "aloprados do PT" aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui.
Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: "por que não vamos repercutir a matéria da "Istoé", mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira?"
Por que isso, por que aquilo... Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?
Quando, no JN, chamavam Gedimar e Valdebran de "petistas" e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do "governo anterior", acharam que ninguém ia achar estranho?
Faltando seis dias para o primeiro turno, o "petista" Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalítica para jornalismo tão seletivo!
Ah, sim, Freud. Elio Gaspari chegou a pedir desculpas em nome dos jornalistas ao tal Freud Godoy. O cara pode ter muitos pecados. Mas, o que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as "suspeitas", e apontando o dedo para a sala onde ele trabalhava, bem próximo à sala do presidente... A mensagem era clara. Mas, quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição.
Não vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos.
Também não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devêssemos fazer; seria o fim da picada...).
O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.!
Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar!
Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do "dossiê". Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?
E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas "desagradáveis". A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.
E isso era um segredo de polichinelo. Muita gente ouviu essa história pelos corredores...
E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos. Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa - as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder.
Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu!
Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite?
Por que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN?
O JN levou um furo, foi isso?
Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele... Mas, a Globo não pôs no ar... O portal "G-1" botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a "CartaCapital" ter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era.
Por que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo?
Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente.
E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da "CartaCapital". Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!
Pensem bem. Imaginem a seguinte hipótese: a revista "Quatro Rodas" dá matéria falando mal da suspensão de um carro da Volkswagen, acusando a empresa de deliberadamente não tomar conhecimento dos problemas. Aí, como resposta, os diretores da Volks têm a brilhante idéia de pedir aos metalúrgicos pra assinar um manifesto em defesa da empresa! O que vocês acham? Os metalúrgicos mandariam a direção da fábrica catar coquinho em Berlim!
Aqui, na Globo, muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição...
De resto, está difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de "pretos e pardos". Vocês já viram isso no ar? Sinto vergonha...
A justificativa: IBGE (e, portanto, o Estado brasileiro) usa essa nomenclatura. Problema do IBGE. Eu me recuso a entrar nessa. Delegados de policia (representantes do Estado) costumavam (até bem pouco tempo) tratar companheiras (mesmo em relações estáveis) como "concubinas" ou "amásias". Nunca usamos esses termos!
Árabes que chegaram ao Brasil no início do século passado eram chamados de "turcos" pelas autoridades (o passaporte era do Império Turco Otomano, por isso a nomenclatura). Por causa disso, jornalistas deviam chamar libaneses de turcos?
Daqui a pouco, a Globo vai pedir para que chamemos a Parada Gay de "Parada dos Pederastas". Francamente, não tenho mais estômago.
Mas, também, o que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas?
Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de vocês.
Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao JG, temos um desfile de gente que está do mesmo lado.
Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.
Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo:
"(...)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança".
Entendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas... Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo - sim - no Brasil.
E vejam o vocabulário: "lealdade e confiança". Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da "lealdade".
Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou.
Mas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi "leal" com o público. Nem com os jornalistas.Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia!
João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno:
"Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando".
Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças? Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política!
Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na "geladeira". Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação - especialmente em São Paulo.
Boa parte dos seus "colaboradores" (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas - "colaboradores", essa é boa... Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou.
Mas, isso tudo tem pouca importância.
Grave mesmo é a tela da Globo - no Jornalismo, especialmente - não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente?
Isso me lembra a Igreja Católica, que sob Ratzinger preferiu expurgar o braço progressista. Fez uma opção deliberada: preferiram ficar menores, porém mais coesos ideologicamente. Foi essa a opção de Ratzinger. Será essa a opção dos Marinho?
Depois, não sabem porque os protestantes crescem...
Eu, que não sou católico nem protestante, fico apenas preocupado por ver uma concessão pública ser usada dessa maneira!
Mas, essa é também uma carta de despedida, sentimental.
Por isso, peço licença pra falar de lembranças pessoais.
Foram quase doze anos de Globo.
Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha - nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente, lembravam-nos da fragilidade de todos nós, de como nossa razão pode ser frágil.
Havia o João Paulada - o faz-tudo da Redação.
Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces...
Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo. Hoje, na hora de dizer tchau, sinto saudade de tudo aquilo.
Havia bares sujos, pessoas simples circulando em volta de todos nós - nas ruas, no Metrô, na padaria.
Todos, do apresentador ao contínuo, tinham que entrar a pé na Redação. Estacionamentos eram externos (não havia "vallet park", nem catraca eletrônica). A caminhada pelas calçadas do centro da cidade obrigava-nos a um salutar contato com a desigualdade brasileira.
Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agência de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.
Mas, há as pessoas. Essas valem a pena.
Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas...
1) Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem "lealdade"; parecem "poderosos chefões" falando com seus seguidores... Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos.
2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades.
Saudades das equipes na rua - UPJs que foram professores; cinegrafistas que foram companheiros; esses sim (todos) leais ao Jornalismo.
Saudades dos editores - que tiveram paciência com esse repórter aflito e procuraram ser leais às minúcias factuais.
Saudades dos produtores e dos chefes de reportagem - acho que fui leal com as pautas de vocês e (bem menos) com os horários!
Saudades de cada companheiro do apoio e da técnica - sempre leais.
Saudades especialmente, das grandes matérias no Globo Repórter - com aquela equipe de mestres (no Rio e em São Paulo) que aos poucos vai se desmontando, sem lealdade nem respeito com quem fez história (mas há bravos resistentes ainda).
Bem, pelo tom um tanto ácido dessa carta pode não parecer. Mas levo muita coisa boa daqui.