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Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008


PILULINHAS DE VERANEIO

Acabei de sair de uma gripe, hoje! Acordei e tava tudo resolvido. Parece coisa de repartição etc, mas foi assim mesmo. Fui dormir ainda chumbado e hoje nem parece que estivera detonado. Também, convenhamos... Tomei uma overdose de limonada nos últimos dois dias. Tá aí o efeito!

Hoje tá um sol majestoso no Rio; realmente irresistível. Daqui a pouco vou pra praia. Acho que vou ligar para alguns amigos, pra saber se eles estão na área.
Sabe, tá dando até medo todo este tempo sem ter o que fazer. Isso só pode significar uma coisa: o bicho vai pegar, quando as gravações da novela começarem! Pode dizer que sou neurótico, eu assumo. Tenho estas coisas. Tudo tem um significado. De qualquer forma, que venha o bicho pegando. Contanto que eu esteja fazendo o que gosto, não esquento de trabalhar muito; fico acabado, mas fico satisfeito e feliz. Quem neste país pode bater no peito e falar: faço o que gosto? Pois é, por maior perrengue que eu passe às vezes, nada paga esta satisfação. Amo meu trabalho! Às vezes uns mal-humorados aparecem no caminho e tentam sabotar, mas não adianta, pois não existe força maior que a sinceridade de um propósito; ou se preferirem, a lealdade com seu próprio talento.

Tive umas percepções esta semana em relação a algumas pessoas. Fiquei triste com o que percebi no ar. Sabe quando as pessoas passam uma coisa pra você e te tratam como se te considerassem, mas no fundo é só uma compensação por algo que vc esteja fazendo e, basta que você faça algo que as contrarie de alguma forma, para que elas comecem a dar um jeito de te afastar, mas usando desculpas e sendo, digamos, corteses? Pois é... exatamente isso. Sou tão cobrado na conduta, todas esperam de mim um ser humano quase infalível, mas quando se trata delas, a coisa toma esta postura. Lamento muito por isso. É o tipo de coisa que apenas as farão sofrer no futuro, até porque é uma certa falsidade, né? Bom, espero que despertem algum dia e sejam mais verdadeiras consigo próprias.

E aí? Alguém tentou fazer o ar condicionado caseiro? Funcionou?
Eu, pra tentar fazer, tenho que primeiro comprar um ventirador deste tipo, já que só tenho ventiladores de teto aqui em casa. Mas parece bem legal e um grande substituto para o ar condicionado convencional, dor de cabeça de todo fim do mês, quando as contas chegam.

Bem, é isso.
BEEP!

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Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008


TRANSFORME SEU VENTILADOR EM AR CONDICIONADO
Uma dica bacana que me enviaram por e-mail.



Um ar-condicionado construído com um ventilador, tubos de cobre, mangueira de nível de PVC (de pedreiro) e água gelada. O princípio de funcionamento de um trocador de calor é simples, é o mesmo princípio utilizado pelos aparelhos comerciais, e é nele que se baseia o projeto.


Um projeto útil para o verão: transformar um ventilador em ar condicionado. O invento é barato e pode realmente ajudar a diminuir a sensação de calor. Algumas pessoas estão vendendo os esquemas no Mercado Livre, com preços faixa de R$30 — mas você pode obtê-los de graça, do site oficial. E ainda conferir outras implementações.

Como Fazer:

Você vai precisar de um tubo de cobre de 1/8, 1/4 ou 3/8 de diâmetro, fácil de encontrar em casas de material para construção.

Enrole o tubo em espiral na parte de trás do ventilador, prendendo com arame, fita isolante, zip ties, ou o que você achar melhor.

A mangueira, de mesmo diâmetro, deve ser cortada em dois pedaços: um pedaço será encaixado numa das pontas do tubo de cobre para escoar a água aquecida (a ponta da mangueira deve ficar abaixo do balde). O outro será encaixado na outra ponta do tubo e colocado dentro de um balde com água gelada. A água flui naturalmente do balde para a outra ponta da mangueira pelo princípio do termosifão. Vale lembrar que o ventilador não pode ficar muito acima do balde, e nem abaixo. Se não funcionar, use aquelas bombinhas de aquário (se for usar, pode colocar as duas pontas da mangueira no mesmo balde).

Dicas:

1- Acrescente sal para abaixar o ponto de congelamento da água. Assim a água passa a congelar entre “-4ºC” e “-2ºC”, e o aparelho funcionará por mais tempo.
2- Se quiser vento mais frio, faça uma mistura de água e álcool isopropil (meio-a-meio). O ponto de congelamento cai para algo próximo de -20ºC.
3- Use um radiador de carro no lugar dos tubos de cobre para melhorar a eficiência (pode ser desses de sucata, o objetivo é gastar pouco).
4- Para iniciar o processo de troca, o tubo deve estar inteiramente preenchido com água.

Quem gostou bate palma e quem não gostou também!

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Domingo, Fevereiro 24, 2008


PAÍS AMEAÇADO

Se algum país quisesse dominar o Brasil no século 21, não teria estratégia melhor do que abandonar a educação de nosso povo.
Este texto abaixo achei de extrema importância, por isso estou postando aqui.

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O BRASIL está ameaçado pela "invasão" de um exército de 72 milhões de adultos. São os eleitores sem o ensino fundamental completo. Adultos que aqui nasceram e, sem nenhuma culpa, serão agentes da desagregação nacional nas próximas décadas. Por causa dessa "invasão", dentro de 30 anos estaremos ainda mais mergulhados na violência, na corrupção, na baixa produtividade, na falta de capacidade para criar capital/conhecimento, nas desigualdades social e regional.

Não foi a Abin, nem as Forças Armadas, nem a Polícia Federal que identificou a ameaçadora "invasão" que o Brasil sofre: foi o TSE, ao mostrar que são 104 milhões os eleitores sem o ensino médio completo, dos quais 28,8 milhões são analfabetos ou apenas sabem ler e 72 milhões não concluíram o ensino fundamental.

E esses dados não mostram que raros dos que concluíram o ensino médio tiveram cursos com a qualidade que os tempos atuais exigem, para a pessoa e o país. Mesmo que os dados não sejam exatos (são do momento do cadastramento do eleitor, sem estudos continuados posteriores), eles confirmam uma realidade conhecida.
Se algum país quisesse dominar o Brasil no século 21, não teria estratégia melhor do que abandonar a educação de nosso povo, como nossos próprios dirigentes fizeram ao longo de décadas. Nas próximas, essa situação vai trazer conseqüências catastróficas para o país.

Na democracia: o eleitor sabe votar corretamente, independentemente do grau de instrução, mas, sem educação, não tem alternativas de emprego ou renda, precisa de soluções imediatas para seus problemas. Em vez de votar em um candidato que propõe mudar o quadro futuro da saúde, vota naquele que lhe oferece uma caixa com o remédio para resolver sua doença atual. É um voto inteligente, mas que leva à fragilidade da democracia e ao aumento da corrupção.

Corrupção: a eleição democrática por um eleitorado sem alternativa induz à compra e à venda de votos, daí ao descompromisso do eleito com o eleitor e ao uso do cargo em benefício próprio. O eleitor não tem qualificação e perde o direito de cobrar do seu representante.

Economia: não há futuro para a economia sem mão-de-obra altamente qualificada, com trabalhadores preparados para usar instrumentos modernos. Também não há futuro para a economia que não é capaz de criar capital-conhecimento. Se toda a população jovem não estiver bem educada para fornecer quadros competentes às universidades, estas não desenvolverão o capital-conhecimento com base na ciência e nas técnicas de nível superior que o mundo moderno exige.

Emprego: a economia está trocando operários por operadores. Em vez de formar um operário com um simples curso, é preciso formar um operador de ferramentas inteligente, usando computadores. Isso exige um bom segundo grau completo, idiomas estrangeiros, inclusão digital.

Segurança: é possível que a maldade seja uma característica mais comum entre os educados do que entre os iletrados. Mas, sem alternativas de emprego, estes últimos ficam sem renda para sobreviver e mais facilmente caem na tentação de pequenos crimes -se ficarem impunes, terão incentivo à criminalidade; se forem presos, cairão nas universidades do crime que são as cadeias.

Desigualdade: os dados do TSE não mostram a desigualdade entre o nível de educação do eleitor pobre e o do eleitor rico, mas mostra a desigualdade regional no acesso à educação. O aumento da desigualdade entre as pessoas e entre as regiões será uma das conseqüências previsíveis dos dados divulgados. Alguns conseguem educar-se, têm alternativas, empregos, renda. Outros ficam excluídos.

O pior é que os educados não despertam para os riscos que o país corre. Uma parte nem deseja mudanças, outra defende o voto dos analfabetos sem defender a erradicação do analfabetismo; defende que o capital do patrão deve passar às mãos dos trabalhadores, mas não defende que a escola do filho do operário seja tão boa quanto a escola do filho do patrão, como venho defendendo. O governo Lula continua essa tradição da esquerda generosa, mas não transformadora.

Aos eleitores sem alternativas por falta de educação devemos perdoar suas opções eleitorais, aos eleitores educados não há perdão pela imoral tolerância com a mãe de todos os problemas: o abandono da educação.

Talvez a "CPI do Apagão Educacional" que o presidente do Senado, Garibaldi Alves, se comprometeu a implantar neste primeiro semestre possa servir para acordar o Brasil do risco que nos ameaça.

CRISTOVAM BUARQUE, 63, doutor em economia, é professor da UnB (Universidade de Brasília) e senador da República pelo PDT-DF. Foi reitor da UnB (1985-1989), governador do Distrito Federal pelo PT (1995-98) e ministro da Educação (2003-04).

Aproveite agora e assista ao documentário abaixo - ZEITGEIST - legendado em português.


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Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008


FILMES

Achei ótima a idéia do amigo Do, do blog Ramsés Sec. XXI, em comentar os filmes que viu por estes dias. Pensando nisso, resolvi fazer o mesmo, já que desde o carnaval que venho assistindo inúmeros filmes. Vamos falar de alguns...

O CAÇADOR DE PIPAS
Ótimo. Não li o livro, mas quem leu já dizia que era bom e me parece que o filme tá agradando os leitores. De minha parte, o filme é ótimo; com conteúdo, abrange a amizade, o quanto nós seres humanos somos falíveis, como nossas vidas podem mudar da água para o vinho e da noite para o dia.
Recomendo assistir, pois no mínimo, vc vai melhorar um pouco como ser humano.

MEU NOME NÃO É JOHNNY
Sem exageros, o filme é ótimo! Roteiro é show de bola, a atuação do Selton nem se fala! A edição foi primorosa, assim como a direção, que fez um trabalho espetacular. Quem não assistiu, não pode deixar de assistir. É um destes filmes brasileiros, que nos dão orgulho e provam para os descrentes, que realmente aprendemos a fazer cinema.

RAMBO
A velha deixa de sempre, com o diferencial que desta vez Stallone parece fazer o mesmo que fez com Rocky, buscar um lado mais humano. O final surpreende, fecha o personagem e vale - de certa forma - pelo filme.

ENSINANDO A VIVER (MARTIAN CHILD)
Muito bom filme. Envolvente na medida certa é do tipo que faz a gente se envolver com os personagens e buscar entender ainda mais a alma humana e o universo das crianças. Importantíssimo para que consigamos entender o quão complicado é nosso sistema de emoções, sentimentos e a psiquê em si. Uma palavra para o filme? Emocionante.

PERSEPOLIS
Animação literalmente para adultos, trata do processo por que passou o Irã, com a queda do Xá e a ascenção de um novo regime, muito mais duro, e tudo isso pela ótica de uma menininha, que vai crescendo entre religião, opressão, cultura e, tudo isso, margeado por uma deliciosa mente criativa e apaixonante. Vale mto a pena!

SOLISTICE
Um filme de suspense/terror, mas que não consegue assustar ninguém. Achei o roteiro fraco, então ao final tive a impressão de que faltou muita coisa. Uma pena assistir um filme assim e pensar que poderia ter ficado muito melhor, se a responsabilidade com o roteiro fosse maior, já que a idéia principal é boa. Bom, esta é minha opinião. Se vc quiser conferir, vá à luta! Nada como a própria opinião.

BLADE RUNNER - THE FINAL CUT
Legal rever este clássico, mas com a edição do diretor, que deveria ter sido e não foi, porque o estúdio pressionou para fazer algo mais comercial. Nesta versão, coisas que pareciam sem explicação, ou cenas para "encher linguíça", ficam claras e conseguimos perceber o que Ridley Scott queria com o personagem de Harrison Ford. Achei espetacular esta versão; coisa de colecionador!

I AM LEGEND
Bom filme. Roteiro legal, cenas legais, efeitos especiais igualmente... Mas a impressão que tive é de que o filme ficou mto comum, não acrescenta nada. Uma boa diversão e só isso. (Já deu pra perceber que gosto de filmes cabeça, né? Mas tbm gosto de me divertir. Só não gosto de coisas só para divertir.)

COISAS QUE PERDEMOS PELO CAMINHO (THINGS WE LOST IN THE FIRE)
Muito bom filme, sobre dependência emocional, idealismos, adicção e relações humanas. Muito bem orquestrado o processo dos personagens durante a trama, onde se interligam e se transformam baseados nesse envolvimento. Muito interessante para se entender como funcionamos.

THE MAN FROM EARTH
Muuuuuuito legal! O que vc faria se, de repente, uma pessoa que vc tem no seu círculo de amizades, um dia fizesse uma reunião de despedida em sua casa e revelasse que ele está na terra desde a época dos homens de Cro-Magnon? Pois é, esta é a trama central e vai se desenrolando durante o filme. Não tem nada a ver com Highlander, para quem já está pensando que é um filme de ação. É sim, um filme que fala das possibilidades, das crenças, da herança cultural dos povos e dá uma panorâmica de quem somos, através do confrontamento de idéias pelos personagens da trama. Achei fabuloso! Recomendo muito.

DECEMBER BOYS
Outro filme que nos remete aos personagens e nos faz crescer junto com eles através da estória. Ao final vc se sente mais humano do que nunca. A estória de 4 garotos orfãos, que fazem aniversário em dezembro e que ganham uma viagem de verão num balneário isolado, onde suas vidas se transformam de forma que eles nunca mais esquecerão... A nossa acaba entrando por este caminho também, pois nos identificamos com os personagens. Assista!

JUNO
Filme bacaninha, sobre adolescência, gravidez indesejada, relações familiares e tudo isso pela visão de uma menina de 16 anos, com seus sonhos, sua visão da vida e seus pontos de vista culturais. Achei bem bacana.

SWEENEY TODD
Johnny Depp como sempre, com uma atuação impecável nesta fábula gótico/musical de Tim Burton. Helena Bonhan Carter tbm não deixa por menos. Acho que já vale assistir só pelas atuações dos atores. O roteiro é assim assim... Roteiro de musical, né? Eu gostei mais de A Noiva Cadáver. Mas tá valendo.


SÉRIE IMPERDÍVEL

Também tem uma série rolando, que baixei pela net e que é impossível não recomendar.
Quem curtiu a série de filmes Exterminador do Futuro, vai gostar muito desta série para a TV, cujo foco central é Sarah Connor, a mãe do menino que no futuro será o grande líder da resistência contra as máquinas. Tenho assistido e os primeiros 6 episódios são muuuito bons. Os efeitos especiais não deixam a desejar e a trama é bem amarradinha. Vale muito a pena.
O nome?
TERMINATOR: THE SARAH CONNOR CHRONICLES


É isso aí, gente. Eu vi muito mais filmes, mas acho que já tá bom por enquanto, né?
Boa diversão.

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Terça-feira, Fevereiro 19, 2008


SEMANA ABERTA

A vida tem umas peculiaridades.
O mundo lá fora parece estar de cabeça pra baixo, mas ao mesmo tempo o sentimento que eu tenho é de que tudo está bem, caminhando na direção certa.
Agora mesmo, estou aqui, no meio da semana e sem uma perspectiva real do que faço o resto da semana, então fico tentando preencher meu tempo com as coisas que preciso fazer, como por exemplo entrar em forma, cuidar da minha aparência, já que trabalho com ela etc. Ao mesmo tempo, tenho essa sensação que parece estar me direcionando para junto da natureza, para o dia lá fora, para a praia... Deixar o dia correr como ele deve ser e não me desesperar por isso, com alguma razão que eu mesmo nem sei qual é. Talvez seja o mal costume da sociedade de correr, de achar que tem que estar sempre na frente... Na frente de quê? No fundo, tudo isso só existe na nossa cabeça. Indiferente a isso, a natureza segue seu ritmo e tudo funciona perfeitamente... Por que não fazemos o mesmo?

Bom, deixa eu fazer da minha 3a. feira algo delicioso e sem espectativas. As chances de ser mais feliz são muito maiores.

Bom dia!

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Domingo, Fevereiro 17, 2008


YOU HAVE KILLED ME

Pasolini is me
'Accattone' you'll be
I entered nothing and nothing entered me
'Til you came with the key
And you did your best but

As I live and breathe
You have killed me
You have killed me
Yes I walk around somehow
But you have killed me
You have killed me

Piazza Cavour, what's my life for?

Visconti is me
Magnani you'll never be
I entered nothing and nothing entered me
'Til you came with the key
And you did your best but

As I live and breathe
You have killed me
You have killed me
Yes, I walk around somehow
But you have killed me
You have killed me

Who am I that I come to be here...?

As I live and breathe
You have killed me
You have killed me
Yes I walk around somehow
But you have killed me
You have killed me

And there is no point saying this again
There is no point saying this again
But I forgive you, I forgive you
Always I do forgive you

by Morrissey

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Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008


PILULINHAS NOVELÍSTICAS 2

Antes de mais nada, deixa eu responder a Magui. Pois é, Magui, em teste a gente tem que decorar o texto, mas não é só isso, tem que interpretar! Aí, que a porca torce o rabo e muita gente dança. Dar naturalidade a um texto não é algo fácil para quem não está acostumado. Detalhe: só lá, na hora de fazer o teste, que fui saber que o texto se desenrolava comigo falando no telefone. Nestas horas, se vc não é ator e nem soube trabalhar o texto direito, sem ficar preso numa forma específica, danou-se! Vc simplesmente não consegue sair da forma que estudou e só consegue fazer de um jeito. Tem que saber estudar o texto, mas deixando livre de forma que vc possa moldá-lo a diferentes situações, como o diretor pedir na hora. Isso não é fácil, precisa experiência e... dá um certo "trabalhinho" (rs).

Ontem fomos para o Grupamento de Nova Iguaçú. Aprendemos sobre equipamento de combate a incêndio, como transporte de mangueiras, conexões, ordem de trabalho em equipe e o próprio combate a incêndio. Também fizemos um pequeno treinamento na Casa de Fumaça. A coisa é braba, mas com a técnica correta, se minimiza muito a dificuldade num ambiente repleto de fumaça, evitando assim a intoxicação.

Curtimos bastante todo o treinamento e já começamos a nos sentir meio bombeiros.

Este processo de laboratório é bacana, porque cria um entrosamento entre nós atores, fazendo-nos sentir mais uma equipe mesmo. Isso é algo essencial no trabalho que iremos fazer por aproximadamente 9 meses, gravando toda semana.

To correndo na areia todo dia, para recuperar a forma e entrar cada vez mais na postura do personagem. Dá gosto poder voltar a um tipo de atividade mais intensa na construção de um personagem. Fazia tempo que eu não entrava num processo mais físico; desde os ensaios de Ricardo III, onde tive que fazer acrobacia aérea em tecido por 3 meses, me desdobrando entre treinamento acrobático, ensaio da peça, ensaio de coreografia (É, era um musical!) e ensaio de voz. Foi um processo muito estresante, mas o resultado foi bem bacana.

Bem, devemos começar a gravar a novela mesmo, só daqui umas duas semanas. Vamos em frente.


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Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008


PILULINHAS NOVELÍSTICAS

E hoje começaram os treinamentos junto ao Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, para aprender as técnicas e procedimentos padrões na ação de um bombeiro.

Hoje foi mais um bate-papo com o Major Alexandre, onde ficamos sabendo detalhes importantes sobre hierarquia e relação entre patentes diferentes, assim como funções internas.

Amanhã iremos para um treinamento de salvamento no meio do mato. Do jeito que sou adepto de esportes radicais, já deve imaginar como estou me sentindo, né? Ando a tanto tempo paradão - nem as trilhas que sempre fazia na Floresta da Tijuca eu tenho feito! - que chego a ficar ansioso (rs). Afinal, só tenho dado mesmo é minhas corridinhas na areia da praia todos os dias.

Ainda não sei quando começo a gravar. Talvez seja semana que vem, já que as primeiras cenas da novela são de resgate num grande incêndio.

Vamos ver no que dá. De qualquer forma, vou sempre fazendo comentários aqui, para poder dividir com vc o meu processo de trabalho. Acho bacana poder trocar com quem não conhece o trabalho de um ator e, geralmente, acaba achando que a gente só pega roteiro, decora e grava. Logo vc vai começar a perceber que a gente rala um bocado também. A diferença é que estamos fazendo algo que amamos, então acaba sendo também uma diversão.

E meu gato Jack tá cada vez mais grude comigo. É impressionante como ele gosta de mim. Me acorda de manhã cedo, mesmo que tenha comida pra ele; o negócio é que ele não quer ficar sozinho e quer que eu lhe dê atenção. Também continua uma pestinha agitada; apronta todas possíveis e imagináveis. Mas eu me divirto muito com ele; tem sido uma ótima curtição.

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Terça-feira, Fevereiro 12, 2008


ATRAVÉS DAS LUZES DA CIDADE

Acordei cedo demais... Fiquei tentando conter o ritmo de pensamentos e lembranças que fluem deliberadamente, mas minha vontade é deixar o passado me engolir e digerir em qualquer coisa que não seja o agora... O agora se impõe com o evidente fato de que estou acordado. Olho as janelas silenciosas e escancaradas com suas órbitas vazias e cheias de vida em suspenso... Sinto-me suspenso e ao mesmo tempo imerso em mim mesmo; um eu que não quero e não consigo evitar... Na verdade sou seduzido e deixo-me seviciar... Sou um paradoxo existencial no meio de uma madrugada qualquer, enquanto tantas mentes dormem e outras tantas se viciam na noite anônima.

Levando, coloco um jeans velho, calço as havaianas azuis e saio porta afora. O elevador está parado, como se me esperasse no terceiro andar a dizer-me: - venha! Estou aqui facilitando as coisas.

Os três andares passam sem que eu sinta; permaneço mergulhado em pensamentos não-identificados. O porteiro cochila e só me percebe quando a porta de vidro se fecha atrás de mim. Caminho em meu jeans até a orla, passando pelas meninas que se vendem por algum prazer diferente nesta vida; quase uma tentativa de se agarrar em seus sonhos, que elas nunca realizarão. Mas isso não me importa. Estou tão imerso em mim mesmo, que qualquer movimento alheio é só isso, um movimento... sem sentido, sem importância.

Há um desejo imenso de olhar através da noite, mas a escuridão parece intransponível.

Caminho até a Lagoa, como um morto-vivo que ninguém percebe atravessar a madrugada. Alguns carros atravessam a noite como seres pré-históricos vestindo Gautier e Armani. O portão de entrada do Parque da Catacumba está trancado, mas não me importo e, no que deveria ser um esforço monumental, escalo e salto por cima com facilidade e indiferença. A floresta é o convite que minha mente não toma consciência, embora esteja berrando por todos os poros de meu corpo. Atravesso trilhas escuras, apenas iluminadas pela luz da lua, a medida que vou subindo. Minha mente passei pelos sentidos primitivos sem julgamento algum, apenas a percepção pura e simples.

Chego ao topo e vejo a lagoa do alto. Estou só... e me deixo transportar pela miríade de luzes que a cidade me brinda. Sinto-me num momento único, onde todos os sentimentos vem à tona e é inevitável conter as lágrimas que descem em profusão. Já não sou mais eu, já não sou alguém... sou apenas o que restou de um ser que achava ser racional. Choro com vontade e os soluços são como espasmos que me entregam à noite solitária, cuja lua crescente teima em tentar iluminar.

Aos poucos tudo para. Há uma serenidade que a muito não sentia. Olho para as luzes da cidade sentindo-me livre de todo o peso, livre das críticas... livre de mim mesmo. E assim me entrego para a cidade quase nua, vestida de luzes, como quem se deixa inundar de felicidade... Então, sorrio. Não preciso de explicações... Apenas sorrio.

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Sábado, Fevereiro 09, 2008


O FRIO CALOR DA RAZÃO

Abriu a porta confuso, mas determinado. Saiu a passos firmes e ao mesmo tempo inseguros, como quem busca não pisar numa pobre formiga. A mente rodopiando ao redor de todos os questionamentos possíveis em relação a cada conduta, a cada regra, a cada exigência de satisfação alheia não satisfeita... Estava cansado... cansado de ouvir as pessoas cagando regras o tempo todo, como se fossem donas do mundo inteiro; cansado de ver tantos caminhos e todos eles com um imenso portão de ferro, cheio de arame-farpado no topo, trancado; cansado de si mesmo, de suas idéias geniais que ninguém queria ouvir, de seus sonhos capengas e inesperados, que o assaltam todas as madrugadas, minutos antes do raiar do sol... cansado de ter que ver-se no espelho todas as manhãs, enquanto sente o gosto estranho na boca, resto de bebida, cigarro e um bafo de espantar o capeta.

A chuva fina não o incomoda, enquanto caminha sem pensar numa direção; as pernas trocam-se no automático. A brisa é fria, muito embora estejamos no verão. As pessoas se acotovelam pelas avenidas, enquanto a única certeza que tem é a de se afastar do centro.

O dia cinza escurecendo lentamente é a única paisagem que o recebe, quando chega às pedras de frente para o mar. Não há ninguém e o vento é mais forte. Está molhado, mas não se importa. Olha o mar e parece ver em seu lugar uma massa humana que é arrastada por sua estultícia, enquanto um som sem referência marca o tempo, como se isso fizesse alguma diferença agora.

Um albatroz teimoso plaina na chuva e parece também não se importar com nada. É então que a ficha cai e ele percebe toda a ligação, toda a conexão. E a chuva não é mais apenas chuva, assim como o mar vai além dele mesmo, alcançando fundo em sua alma o que ainda resta de sanidade. O vento organiza as cartas embaralhadas e os pensamentos dançam um Chopin inexistente. O olhar, embora parado no horizonte, brilha cheio de vida – inevitável sinal de vida dentro daquela casca humana.
Não há mais porque duvidar. Não há mais necessidade de fugir, nem de fingir prestar atenção às palavras tolas das bocas inconseqüentes. Tudo que importa é este momento. Tudo que importa é o agora, momento supremo de total consciência de que nunca esteve só.

O vento continua soprando, enquanto a chuva cai nas pedras agora solitárias, a medida que uma sombra se afasta em direção às nuvens.

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Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008


TERRITÓRIO LIVRE À CANALHICE

E a dança dos cartões de crédito é a mais nova diversão dos jornais.
Me assusta como a canalhice chegou a um ponto de ousadia, que até bandido acha absurdo. Não há mais nem um mínimo de vergonha na cara. Depois, querem que a gente acredite em polícia, em políticos, no coelhinho da páscoa... Só tem safados!

Tá na primeira página do jornal O Globo de hoje:

Quanto menos transparência, mais segurança”, disse Jorge Félix, Ministro do Gabinete de Segurança, em relação aos gastos com trivialidades – verdadeiros abusos com DINHEIRO PÚBLICO – feito pela segurança da presidência e agregados (parentes etc.).

Por trás dessa frase existe um subtexto que é inevitável se pensar:
Quanto menos transparência, mais SAFADEZA
Por isso, acho que a melhor coisa que já aconteceu no Brasil nos últimos tempos, foi o surgimento do Transparência Brasil. Já tá começando a feder geral para a cambada que chafurda na própria lama.

Essa gente esquece que está mexendo com DINHEIRO PÚBLICO, cujo abuso deveria ser considerado crime hediondo, punível com pena máxima. Usar indevidamente dinheiro público é tirar vidas, já que deixa-se de ajudar outras áreas muito importantes, como saúde, pesquisas, saneamento básico etc. Portanto, uso inapropriado do dinheiro público pode ser considerado assassinato premeditado.

O senhor Jorge Félix que me perdoe, mas ele foi extremamente infeliz nesta frase, além de se postar lado a lado com a canalha que infesta a política brasileira.

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Segunda-feira, Fevereiro 04, 2008


O FÔLEGO DA CIDADE

A rua respira odores coloridos
Entre sussurros oprimidos da cidade
Cada sonho, um pedágio dos sentidos
Fiéis arautos da verdade sem maldade

O sentido, atônito, desnorteado
Transborda o material de nosso ser
E como um quebra-cabeça desembaralhado
Se encaixa na palavra que mais o convencer

E entre ícones submersos em estruturas
Todos os desejos parecem omissos
Enquanto corremos de dores futuras
Como quem busca cristalizar sorrisos

E nessa tentativa de escapar do destino implacável
Os sentidos se perdem no vazio do presente
As cores se desbotam e a rua inconsolável
Insiste em recapturar a sensação ausente

Giulia Willcox & Alexander Zimmer
Niterói, 02/02/2008.

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Domingo, Fevereiro 03, 2008


SEM PLUMAS NEM PAETÊS

Tá sendo um carnaval tipicamente intelectual; quase um sarau. É bem verdade que meio capenga, mas estive dois dias com pessoas que acabei descobrindo que amo muito e que sinto imensamente ter que me afastar. Foi uma constatação que me deixou pisando em ovos comigo mesmo, pois até então nunca tinha percebido a intensidade desta ligação. Mas, enfim... Pessoas especiais, que só eu mesmo posso saber o quanto são importantes; não encontro palavras para descrever, portanto não há. De certa forma é legal, porque só eu sei o gostinho que isso tem... rs. Eu sei, que parece egoísmo e talvez até seja mesmo, mas no final das contas não sou santo e devo me permitir sentir isso, já que não é algo ruim.

Pois é, o carnaval tá assim: poesia a quatro mãos, coca zero com cachaça (sem exageiros!) e um papo legal entre pessoas amáveis. Melhor do que ficar pulando que nem um macaco desgovernado entre uma tribo inteira de bêbados. Já viu que eu não gosto de carnaval, né? (RS). Tudo isso é porque não pude ir para Lumiar... Me faz uma falta...

Ah! Assisti "Meu Nome Não É Johnny". Ótimo filme! Boa edição, trilha bacana e a sempre impecável interpretação do colega Selton Mello. Show de bola! Merecia concorrer ao Oscar, não só apenas por ser bom, mas porque foge daquele papo de cinema arte que o brasileiro geralmente tem; agora também fazemos bem o cinema comercial e temos que começar a aprender a respeitar isso.

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