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Sábado, Agosto 30, 2008


LOW RIDER

Em disparada semitonal, voando baixo pelas estradas, vou digerindo lembranças indigestas de camas desfeitas, palavras amargas e alguns momentos de insanidade e submissão.

O asfalto passa célere numa sucessão de geografia mal calculada, ou que minha mente limitada não pode discernir. Dos lados a paisagem muda constantemente... Sinto-me enjoado e deixo sair a insatisfação, resultado de minha incerteza visual, de minha atemporalidade.

As amantes brincam em minha mente fragmentada; pedaços de momentos obscuros, desejos estranhos e imaturos... Quero ignorá-los... Uma mescla de prazer e repulsa.

A estrada está deserta... O caminho está deserto... A vida está deserta. Somente zumbis perambulam quase sem sentidos, obedecendo regras obtusas e escravagistas. O mundo está deserto! Porra! Está deserto!

Corro ao redor do lago... Não sei quem sou... Não sei onde estou... Apenas corro ao redor do lago mergulhado numa semi-consciência, mergulhado num ecrã meio fora de foco... Misturo-me com a bruma que imagino existir... Corro com as fadas... Corro sozinho... Corro com a multidão de mim mesmo.

E o conteúdo verde do copo... Bauhaus... Joy Division... The Doors of perception of nowhere. I’m a fucking nowhereman… Without sense… Without fucking reason…



Estou imaculado… Estou inoculado… Etilicamente inoculado no sonho do demônio... Ou talvez o sonho do insano louco do tarô, perdido entre as estrelas errantes, montado numa carruagem fantasma que percorre vertiginosamente o universo inverso, girando velozmente a roda da fortuna.

E estes olhos escarnecedores destes zumbis que se acham sãos, já não me divertem mais. Quero o isolamento... Quero o deserto e seus mil mestres da eternidade, me mostrando a trilha que meu espírito perdido necessita seguir... Esperando apenas pelo sol.

Adeus desejos!
Adeus sonhos idiotas!
Adeus insanidade!

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Sexta-feira, Agosto 29, 2008


SEXTA-FEIRA... ASSIM, ASSIM... MENINA

Semaninha movimentada! Depois da doidera jumper de segunda, mergulho no emaranhado de pixels, aranhas cibernéticas tresloucadas e renovações musico-tendenciais-neoplatônicas-junguianas.

Renovei o site da banda, coloquei um portal no ar (trabalho paralelo) e socializei em doses comportadas de lúpulo com cevada; adoro uma malzbier!

Entre sons orgástico-musicais intimistas e cheios de conteúdo psicológico, dei asas à imaginação e deixei a criatividade solta da jaula, só para irritar os cartesianos de plantão, cheios de regras newtonianas e comportamentos formais. O resultado não poderia ser outro: poesia, música... Arte em geral. To num período fértil e não se atrevam a tentar me emparedar, senão eu jogo um balde de loucura fosforescente na sua roupa nova de grife. Hehehe!

E as eleições estão chegando. Toda vez que estamos num ano de eleições, os senhores feudais se preocupam em fazer campanha contra o voto nulo. Eles fazem merda durante quatro anos e depois ficam com medo da descrença que eles mesmos criaram. O povo ta descrente mesmo, porque é sempre a mesma estória de promessas e cagadas feitas depois de eleitos. Não resolvem nada na cidade e ficam posando de importantes, esquecendo que são nossos empregados e nós não devemos nenhuma reverência a eles, se eles não se portarem com a responsabilidade devida e cuidarem da cidade que representam. São todos uns hipócritas, demagogos...

Quando falo que tenho nojo disso tudo, escuto o eco de vozes que reverbera Brasil a fora. Minha voz está longe de ser a única; antes disso, hoje em dia, já é maioria. A sorte deles é que o brasileiro não tem tendência terrorista, senão ia ser um tal de atentados contra essa corja, que não teria fim, até que caísse o último canalha.

Mas também é aquela estória: cada povo tem os governantes que merece. Então acho que ta na hora de cada um de nós fazer por nós mesmos; vamos nos ajudar e deixar esses merdas pra lá. Vamos dar o exemplo e mudar a forma de nos relacionarmos, de resolvermos os problemas... Vamos adotar uma postura mais ética, fazendo as coisas de forma honesta e fraternal. Se a gente começar a fazer isso, nossa sociedade vai melhorar muito, enquanto a corja vai definhar em suas próprias feridas pustulentas.

Hoje está um belo dia de sol... Talvez eu vá pegar um solzinho na praia à tarde.

Luz do sol... Que a folha traga e traduz... Em ver de novo... Em folha, em graça... Em vida, em força, em luz...

Pois é, Caê... Simples assim... Lindo assim.

Bjs.

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Quarta-feira, Agosto 27, 2008


BRADOOOU!!! RECORD URGENTE!

Acordo numa segunda-feira, vou pagar contas, faço as coisas que preciso fazer e nem sempre são muito o que me aprazem. Volto para casa, esquento a comida, coloco o almoço de minha mãe e o celular toca às 12h10min. Lenice me pergunta se eu posso estar na Record às 14h, pois ouve um erro no envio dos e-mails e eu preciso estar lá, pois tem umas oito cenas para eu gravar. Surpreso, pêgo com as calças numa mão, colher de comida na outra (nem era minha, era do almoço que estava dando para minha mãe), sai correndo e começo a intercalar uma colher de comida com uma troca de roupa, pois sair de Copacabana para Vargem Grande leva pelo menos 1 hora e meia – isso se o trânsito ajudar. Acabo de me vestir, ao passo que também o prato de minha mãe chegou ao fim, corro para o banheiro para fazer a barba, já pensando no fato de que o tempo está correndo e eu preciso estar saindo pela porta às 12h30min. São 12h25min, portanto, 5 minutos para fazer a barba.

Viva! Mais uma vez bato um Record!

Pego a mochila e meu mp4 – não tem como ir para Vargem Grande a seco, sem ter o que distrair. Coloco na mochila o casaco, já que parece que vai esfriar mais tarde, coloco dois livros que estou lendo, um que estou terminando e outro que estou iniciando, jogo a mochila nas costas, passo na cozinha e encho o copo de coca zero para minha mãe, entrego na mão dela e saio pela porta. São 12h34min. Caminho rápido até o ponto, desvio de umas coroinhas típicas de Copacabana, que parecem que foram colocadas lá como obstáculos por alguns criador de videogames e chego ao ponto. Fico escutando música e esperando o Piabas, que demora sempre, naturalmente. Lá vem ele! Eu e mais três pessoas fazemos sinal, mas o “sapeca” do motorista – isso para não chamá-lo de outra coisa – desvia do ônibus que está parado no ponto e simplesmente ignora-nos, passando por fora em alta velocidade. Rapidamente resolvo pegar o 175 que está no ponto, descer no Barra Shopping e pegar o 707, que me deixará em frente à Record. Em minhas cogitações, acredito que será mais rápido que o Piabas. Por uma graça divina estou certo e chego ainda faltando 5 minutos para as 14h, na RecNov.

Algumas pessoas pensam que nossa vida de ator é moleza ou que não compensa. Poxa, foi um dos melhores dias de gravação que já tive. Diverti-me muuuuito e o astral tava ótimo no elenco. Milhen, como sempre, um palhaço nato! O cara tava atacado e só soltou graça. Foi um barato. Às vezes lamento por não fazer parte do elenco principal e participar de forma mais ativa das brincadeiras, mas no geral me sinto muito satisfeito por estar tendo a oportunidade de fazer parte dessa produção. É exatamente assim que me sinto nesta novela. To fazendo algo que me deixa satisfeito e a felicidade tem sido constante nos momentos em que posso estar trabalhando na novela. Sou imensamente grato por tudo isso, meu Deus! Muito grato mesmo!

Raramente acredito em segundas-feiras felizes, mas acho que to vencendo meu estigma de segunda-feira e começando a admitir que podemos ser felizes em qualquer dia, em qualquer horário e em qualquer lugar... Basta que vivamos plenamente o que fazemos e procuremos usufruir ao máximo de tudo, como se fosse um grande ensinamento, o que na verdade sempre é.

Bjs e boa semana pra ti.

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Sábado, Agosto 23, 2008


DELÍRIO DE SANIDADE

Navego em mares de pétalas soltas de mil flores; páginas de sabores selváticos de tantos jardins, onde deitei meus desejos, meus sonhos instantâneos e mentiras verdadeiras. O tempo passa e não me arrependo das impulsividades de adolescente. Vou seguindo e saboreando cada novo passo sem cogitar o seguinte. Se chuva cai, molho-me cheio de mim; e se o sol vem incendear-me, então incendeio-me e deixo que a chama se espalhe, devorando tudo intensamente, para que não haja espaço para arrependimento. E se por acaso uma ponta de dúvida me abate, me abato num esfuziante mergulho numa fé qualquer, num deus qualquer, para que minha impossibilidade seja compensada pela total possibilidade destes seres eternos; deuses supremos de meus momentos de fraqueza.

E neste inverno de araque, finjo que sinto frio para tripudiar comigo mesmo, mergulhando na farsa teatral, vilipendiando sentenças de versos duvidosos e românticos demais que não me cabem. Sou o arlequim destemido e inconseqüente, que atira-se sobre o bolo da festa só para divertir a ignorância destes senhores gordos e depravados, que venderam a própria humanidade, enquanto afogam-se em seus copos etílicos, palitos de fumaça e coquetéis proibidos.

Divirto-me vendo a decadência, enquanto mantenho incólume a serenidade de meu mundo mágico além das pétalas, além das falsas fragrâncias, além da ilusão dos copos.

Por isso navego. E continuarei navegando infindamente, até os confins de minha existência totalmente centrada no agora. Doam-se os previdentes! Não me podem deter com sua cegueira, posto que mantenho-me de olhos bem abertos.

Au revoir, monsenhor!

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Quinta-feira, Agosto 21, 2008


TV, MÚSICA, LETRAS, ALOPRAÇÃO E MEDITAÇÃO

Hoje o dia de gravação foi tranquilo. Aliás, não aguento mais jogar damas! Rs. Quando só ficamos fazendo uma figuração de luxo, geralmente ou jogamos sinuca, dominó ou damas... Eu simplesmente não tenho mais saco para damas. Dominó ainda vá lá, mas damas definitivamente não! Rs. Vou ficar traumatizado...

Tava pensando em ir para o Empório hoje, mas achei que minha frequência está mais numa de meditar. Então resolvi ficar em casa e fazer uma boa meditação. Amanhã tenho que pagar a faculdade e escrever mais algumas páginas de meu livro. To pensando em ir à praia depois do almoço. Claro que devidamente mergulhado em protetor solar; quero manter minha cor branquinha.

Gente, tenho lido a revista Sophia e recomendo muito, para quem tem um interesse em se auto-conhecer e explorar o conhecimentos de diversas filosofias, que só nos enriquecem e nos ajudam a nos melhorararmos como seres humanos. A revista é muito boa!



A pedidos, tenho que falar do show da banda no domingo. Gente, eu aloprei geral, como havia prometido que faria. O povo adorou o show e nós nos divertimos muito. Cantamos até músicas que nunca ensaiamos! O povo cantou junto e tudo... Foi mto legal.
Cheguei em casa tão exausto, que tomei um banho e cai na cama de barriga pra cima; acordei no dia seguinte na mesma posição, com o celular despertando às 5:30 da matina. Peguei o celular, travei e fiquei uns 10 segundos para lembrar o porquê de estar acordando aquela hora. Logo lembrei que era porque tinha que gravar um comercial para O Globo. Saltei da cama, paguei um banhoso para acordar e saí voado para o set de filmagem. A coisa foi tão rápida, que às 10h estávamos liberados. Trabalhinho rápido e din-din fácil. Quem dera todos os trabalhos fossem assim... Às vezes caem estes brindes divinos no meu colo; só posso agradecer, é claro!

Tem mais coisa boa vindo aí... To empolgado. Assim que algo se confirmar, jogo aqui no blog.

Fui!

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Quarta-feira, Agosto 20, 2008


PILULINHAS DE INVERNO
(Que inverno? 37° é inverno?)


Hoje assisti ao filme The Babysitters. A estória é bem interessante, cheia de questionamentos bem atuais, retratando algo muito comum hoje em dia e que a maioria das famílias nem desconfia. Vale a pena assistir. Não sei se já estreiou no Brasil.... Fique ligado(a).

To passando uma fase meio estranha... Ando pensativo... Enfim... Quando realmente que eu deixei de ser pensativo em algum grau? No fundo, um pouco mais ou um pouco menos não faz diferença.

Não to vendo nada de Olimpíadas. A bem da verdade, não tenho o menor saco pra isso. Não tenho uma visão de esporte muito comum; não gosto da idéia de competição; ter que se esforçar para provar que é melhor que o outro. Prefiro o esporte pelo prazer e o empenho de se superar, de ir cada vez mais, um pouco mais além, só pelo prazer, sem ter que receber medalhas etc. Acho esse tipo de sentimento algo mais elevado, uma reconexão com algo mais divino dentro de si. Enfim, cada um com seu cada um.

Amanhã lá vou eu dar uma de bombeiro de novo. Tá sendo bem legal...

BLEEP!

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Domingo, Agosto 17, 2008


POESIA ETÍLICA ILUSTRADA

Acabei de chegar do bar, onde sorvi um nectar etílico com uma amiga nipônica.
Hoje gravei o dia todo na Record e cheguei em casa bem tarde. Foi passar, deixar as coisas e sair para relaxar num papo cabeça multidimensional. Nos espalhamos pelas metáforas progressivistas e quânticas. Eu realmente estava precisando me espalhar e ela estava precisando de alguém que a entendesse. Acho que passei dos limites; sou muito bom nisso, huahauhauha! Enfim... Fui falando e ela rebatendo.... Fizemos uma mesa filosófica, cheia de teorias e sugestões de perdição literária e experiencial... Eu e Tati numa trip de idéias, exclamações nem tão emergenciais assim, mas cheias de uma contravenção à realidade ordinária, que chegaria a dar inveja a um Einstein da vida.

To meio Jumper hoje. Acho que faz parte do meu processo de criatividade impulsiva e sem limites. Ando meio contraventor de mim mesmo e dos meus próprios conceitos. Acho isso sadio - diga-se de passagem, to cagando para qualquer opinião em contrário. (RS). To cheio de metáforas mal-resolvidas, com gosto amarguinho-doce e verdadeiramente peçonhentas para quem não sabe lidar com metáforas. Isso é bom para minha versão 2.0 de escritor.

Tá bom, posso até estar meio que escrevendo numa codificação obtusa e esquizóide... Mas nem ligo. Afinal de contas, essa pode ser sua opinião e neste momento, eu realmente não estou preocupado com isso. Dizer nada é dizer tudo; quase como o pouco é muito na interpretação para cinema. To mergulhando fundo na minha disposição imediata e sem retorno na experiência televisiva e, doam-se os teatromaníacos, isso tá me fazendo bem demais. O cinema é companheiro constante desde que me entendo por gente e seu lugar é insubstituível, mas a TV tá fazendo parte tbm e to curtindo demais.

Hoje rolou um eclipse lindo da lua. Fiquei um tempão do lado de fora do estúdio vendo-o e debatendo com o Gabriel Gracindo. Olha só que legal, temos um interesse em comum pelo cosmo. Bacana isso.

Putz! Amanhã tem show. To achando que vou aloprar; não to com saco para dar uma de bonzinho... Acho que vai baixar o Neo-Jim Morrison naturalista vegetariano, seja lá o que for isso! HUhauhauhauhauha!

Bom acho que já tá bom, para um post doido de meio de madrugada.

Bjos.

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Sábado, Agosto 16, 2008


INTERJEIÇÃO AO ACASO

Hoje gravo à tarde e amanhã tem show da banda. Não to muito estimulado para o show de amanhã, mas vamos lá! Acho que na hora me empolgo.

Mais uma poesia. Esta escrevi ontem.
Bom FDS pra vc!

IDADE

Quais palavras perdem-se na distância
Levadas pelo vento da incompreensão;
Poeiras letradas e versos em vórtices;
Sentenças inteiras em suspensão.

E para quê sonhos?
Já não há caderno nem pauta.
A mente torta e vazia,
Sente-se perdida e incauta.

Oh! Bons tempos cheios de juras
Frases doces ao relento
Poesias e música aos amantes
Cheios de sentimento.

Aponho-me agora a mim mesmo.
Discorro lembranças de ninguém,
Na esperança saudosa e louca
De fazer lembrar alguém.

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Quarta-feira, Agosto 13, 2008


O ÓBVIO E O OBTUSO

Ontem fui convidado pela terceira vez para fazer algo na Globo. De repente, a Globo parece que lembrou de mim. To achando engraçado tudo isso, afinal, quem sou eu para chamar atenção assim? Bom, eu to ligado à Record agora. To curtindo muito estar trabalhando lá. Tá certo que não estou fazendo nada muito grande, mas acho que o caminho é esse mesmo. Como eu disse, quem sou eu, não é mesmo? Além do mais, como já disse antes, o astral lá é muito legal. Enfim, to em Chamas da Vida até fevereiro - pelo menos - e se a Record quiser assinar comigo depois, para uma próxima novela, assino amarradão. Se não quiser, aí sim estarei livre novamente para, de repente, ir para outra emissora. Mas a Record tem prioridade - questão de ética.

Ontem, conversando com a Banda no final do ensaio, acabei dando um ultimato sem querer. Tava rolando um papo de que a gente precisa ensaiar melhor as músicas (dos outros) que levamos, para fazer shows melhores, quando eu virei pra todo mundo e fui enfático: Olha, gente! Se for pra eu virar cantor da noite, tocando músicas dos outros, eu to fora. A gente faz show pra divertir a galera e tal, porque tem que fazer, mas eu não quero ficar fazendo isso muito tempo, não. Eu quero trabalhar nossas músicas, gravar nosso cd e ver nossa música na MTV. Pensem bem nisso, porque se for pra ficar nessa lenga-lenga, eu to fora. Essa é a minha posição quanto artista.
Todos ficaram sérios, olhando para o nada, como se estivessem pensativos – é claro que estavam. O único que parece ter recebido bem o que eu disse foi o Cleber (baixista), que logo sugeriu o som do Joy Division, que ele curte muito e que, por acaso, eu também curto, para que tomássemos como referência. Enfim... Essa é a minha posição e se a coisa continuar nesse ritmo que está, logo vou estar partindo para um trabalho fora da banda. Não é bem isso que eu quero, porque gosto dos caras, mas não vou sacrificar meus objetivos criativos, para me transformar num mero repetidor; para isso tem os DJs nas festas.

Para que o post não fique com um gosto meio azedo (RS), vou postar uma poesia minha. Boa semana!

PLANANDO

O continente tão distante
É abissal e inconstante
Tão árido e sem direção
Que não quero pisar o chão
As dores do vôo do ser
Iniciais do puro prazer
Você meu sonho insensato
Meu comprometimento nato
Segunda parte em calor
Deste meu infindo amor.

AZ. p/ Marianna. RJ, 29/12/2000.

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Sábado, Agosto 09, 2008


CERTAS NOITES...

Às vezes tenho uma vontade de escrever, mas não sei o que escrever. Os sentimentos parecem bailar por dentro à revelia dos pensamentos, como se o íntimo quisesse gritar, mas o grito morre no silêncio do inexato desejo e da ausência de objetivo.

Certas noites simplesmente não tenho vontade de meditar e prefiro ficar deitado olhando pro teto. Uma pena olhar pela janela – da minha cama posso ver um pedaço de céu – e não poder ver estrelas; o céu da cidade é tão triste; nos rouba a única magia que nos mantém ávidos por vida durante a noite, as estrelas. Nossa! Como sinto falta das estrelas do céu do interior. Aquele tapete magnífico, que transporta-nos para fora da Terra e faz-nos reconectar com o universo; quase esqueço quem sou nessa reunião com o corpo celeste noturno.

Às vezes viver na cidade é tão chato... Tanto que a vida na cidade é cheia de superficialidades, que nós mesmos criamos para fingir que conseguimos satisfazer uma insatisfação, que no fundo nunca acaba; nos enganamos para conseguir continuar vivendo aqui, como se fosse o paraíso. Será que é por isso que tanta gente se torna consumista? Será que é por que não consegue sanar a ansiedade gerada pelo vazio interno? Acho que a cidade facilita nossa dispersão de nós mesmos, com tanto lusco-fusco, com tanta informação visual inútil, com tanto barulho. Ou será que já estamos tão desconectados internamente, que a cidade só torna isso evidente? As duas coisas podem coexistir, penso eu... Hora uma, hora outra, hora as duas juntas. Estamos desligados de quem realmente somos e cada vez nos distanciamos mais; ou por não sabermos que isso ocorre, ou porque dopamo-nos com distrações que não deixam-nos encarar essa realidade a tempo de podermos nos resgatar.

Estamos apagando nossos próprios passos na areia, com medo de deixar rastros que nos facilitem a nossa própria salvação. Estamos agindo sem sentido... fugindo de nós mesmos. Será que a dor de encarar e ter que reparar nossos erros é maior do que a dor de viver cada vez mais vazio, alienando-se para não sofrer? Acho que precisamos nos reavaliar... Acho que preciso reavaliar-me constantemente, para não deixar-me iludir com estas falsas propostas de salvação, que só significam deslealdade comigo mesmo.

Ainda bem, que escrevo... Este exercício impulsiona-me à reflexão. Assim não perco-me de mim e, consequentemente, não traio-me na deslealdade de um falso reflexo num espelho cheio de jaças, que acabamos fingindo não ver, para não ter que doer.

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Terça-feira, Agosto 05, 2008


VIDEO EXPERIMENTAL

Bom tá aí o vídeo experimental da minha banda. Provavelmente ainda vai sofrer algumas modificações, acréscimo de cenas etc., mas já dá pra ter uma idéia.

Atoxox - Lugar Nenhum (VideoClip)


Abs.

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Domingo, Agosto 03, 2008


LONELY SUNDAY

Poxa... Hoje to meio assim assim... Acho que ando carente e hoje a coisa meio que se manifestou de fato. Domingo é sempre um dia estranho pra mim. Definitivamente não gosto de domingo. É preciso que algo bem legal role num domingo, para eu esquecer que é domingo e curtir.

Ontem fui ao Empório e encontrei uma amiga. Falamos rápido, pois ela já estava indo embora. Tomei duas malzbier e fiquei curtindo o som. Às vezes é muito bom dar uma isolada no meio do povo e ficar só comigo, curtindo a viagem sonora que a programação do DJ da casa sempre coloca; só músicas que curto; uma viagem rock’n’roll. Aliás, este lance de se isolar mesmo estando no meio do povo é muito bom de vez em quando; curto o momento sem me importar com nada; é só o prazer de estar vivenciando aquele momento musicado.

To juntando grana para fazer uma viagem pela Europa. To afim de dar uma mochilada por lá, dormindo em albergues e casas de amigos. De repente, trabalhar em alguns lugares em troca de hospedagem e alimentação. Acho que é uma viagem que estou me devendo faz tempo. Vai ser bom estar sozinho comigo mesmo, sendo forçado a aprender outras línguas por imersão e longe do Brasil. Essa distância vai me dar outra dimensão de mim mesmo e da forma como vejo o mundo. Ainda não tenho um roteiro, mas provavelmente vou começar pelos Açores, onde tenho uma amiga e de lá vou para Portugal, depois vou vendo. O que sei é que tenho que ir à Zurich, visitar um grande amigo. No mais, o roteiro ta bem em aberto. Acho que a idéia de ir vivendo de acordo com as oportunidades que forem surgindo vai ser uma experiência legal.

Essa desconstrução e reconstrução interna minha ta sendo muito boa para meu amadurecimento, mas tem o lado B da estória, que é meio barra pesada. Ando muito sensível e minhas emoções às vezes tentam rebelarem-se e colocar tudo a perder. Escrevo isso e dou uma risadinha... Que complexos somos nós seres humanos! E ao mesmo tempo, fascinantes. E tem gente que ri de quem diz que somos seres divinos. Somos sim, apenas estamos aprendendo a nos tornarmos deuses, cheios de poder, mas equilibrados pela humildade e o amor. Difícil, Né? Mas a gente chega lá. Vamos capengando, caindo de cara... Porém não desistimos nunca. Eis aí, nossa porção divina nos impulsionando em direção à Luz.

Somos mesmo fascinantes!

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