Estou pensando a respeito da noite passada. São tantos dados e tantas possibilidades, que sinceramente não sei o que achar. Sinto-me confuso e ao mesmo tempo as coisas parecem extremamente claras.
É curioso e perturbador passar por uma coisa que fazem muitos anos que não acontece com tanta intensidade. De repente eles estavam lá e eu não era eu, ao mesmo tempo que era. Enquanto eu reclamava como uma criança entediada, eles me mandavam ficar calado e aprender; me mostravam o que era este tipo de responsabilidade e o que precisava ser feito e que era para eu estar atento e ser mais humilde.
Quando tudo se acalmou, eles se afastaram um pouco, mas continuaram por ali. E o melhor era eu voltar pra casa. Não porque eu estivesse chateado ou coisa parecida, mas eu ainda estava no estado de espírito deles e eles não acham apropriado o ambiente que tínhamos por objetivo curtir; então, foi como se eu plasmasse este estado de espírito, com o diferencial que eu entendo bem o que eles queriam dizer e concordei; aquele ambiente não me traria nada de bom, da mesma forma que o que eu tinha que fazer esta noite já havia sido feito; era hora de voltar para casa, eu, meus pensamentos e os ensinamentos, que me deixaram consciente de que não posso permanecer afastado, já que há um propósito ao qual não só me adequo, mas também concordo... Sempre concordei.
Não sei de que forma isso repercutirá para as pessoas pelas quais tenho o maior carinho e que estavam comigo ontem. Também não posso fazer nada a respeito. Eu fiz o que precisava ser feito e provavelmente elas não vão lembrar da metade. Talvez fique um sentimento de afastamento, cerceamento etc. Sinceramente não sei. Vou esperar elas se manifestarem e ver de que forma tudo repercutiu de fato.
No final das contas, eu não me arrependo de nada e nem poderia, posto que foi uma atitude mais que acertada. Nisto estou mais do que em concordância com os Ciganos. Vocês estão certos. Foi um grande ensinamento e preciso levar em consideração meu comportamento há algum tempo; certas coisas precisam ser reajustadas dentro de um novo contexto, dentro de uma responsabilidade que não pode ser ignorada.
Olho o arraial qual sonho de noite estrelada que minhas doideras perdem-me em mim, em ti em todo canto de cada reentrância de teu corpo, que na luz da lua brilha mais e mais... E um livro místico de sabor e semidores, semideuses de ardores e estupores se vão caindo de seus cumes de poder eterno, para vangloriar nossa cama de areia branca.
Olho a flor de seus seios e beijo suave cada pétala de pele suave cheirosa de perfume inidentificado, que minha razão faz passear sobre as ondas, na estrada de luz da lua majestosa que em teu corpo me faz morrer e viver num renascer sem preconceitos, sem narizes tortos e ladainhas velhas de ciúme abestado e sem razão.
Deixa-me mergulhar em teu triângulo perfeito, quase sem floresta e cheio de mim transbordar o suco das mil frutas enebriantes de mistérios e segredos que só de nós se apercebe. E nos resfolegar de toda ave rara, esvoaçantes penas de um espaço sem pena e sem maldade, que nos engole suavemente, no sumo aveludado de nossos sonhos molhados, orgásticos.
Então durmo... Tu dormes... Dançamos anonimamente ao som do mar, estelar brilho anoitece nossos desejos satisfeitos e olhares fixos sem fim.
VIVA
Viva Jurema
Viva a rosa na lapela
Viva Iemanjá
Viva Ilê-aiá!
Viva Exu
Viva Cigana
Viva Ogum
Viva Nanã
Viva Bahia
Viva Salvador
Viva minha tia
Viva ladeira do Pelô
Viva vaca de presépio
Viva menina da esquina
Viva eu quase certo
Viva sua estampa fina
Viva os olhos cegos
Viva você amor
Viva todos os pregos
Viva você Amor
Viva os caminhos tortos
Viva a linha reta
Viva os meninos mortos
Viva a frase direta
Viva Candomblé
Viva Umbanda
Viva povo sem fé
Viva quem desmanda
Viva cada dor
Viva os passos então
Viva o calor
Viva a cor do verão
Viva nosso desejo
Viva minha insolução
Viva o ensejo
Viva tua insatisfação
Viva povo brasileiro
Viva outra vez o Amor
Viva todo estrangeiro
Viva todo nosso ardor
Viva Oxum na mata
Viva sereia-menina
Viva Uerê feliz
Viva Vovó Cambina
Viva cada um de nós
Viva Jesus e Alah
Viva todos os nós
Viva enfim Oxalá
A banda tava sem ensaiar a algum tempo. Hoje nos reunimos para levar um som no estúdio. Resultado: Quase uma bosta total. O que livrou a cara foram duas músicas nossas, que estão ficando muito boas. To achando que uma delas vai virar figurinha fácil nas rádios, pois é muito bonitinha... Lembrou-me um pouco The Corrs.
Essa chuva sobre a cidade ta meio chata. E agora juntou um frio.. Eu até gosto de frio, mas tenho sentido vontade de curtir um solzinho na praia. Pelo jeito, ta difícil. Mas como o tempo aqui no Rio muda de um dia pro outro (às vezes não dura nem um dia!), pode ser que logo logo estejamos sob Rhá novamente.
Meu curta-metragem com meus alunos está na reta final. Agora só falta fazer a trilha sonora. O filme já está nas mãos de Alexandre Teves, que vai prepará-la. To ansioso para ver o resultado.
Nossa! To viciado no CD acústico do The Cure. Escuto todo dia! É realmente muito bom.
Voltei a escutar minhas discografias de Caetano e Gil... Que poesia é essa desses caras? Putz! Fantástica! Passo um tempo sem escutar e quando volto, parece que to escutando pela primeira vez... Eles são muito bons, não tem como discutir isso.
Esta semana passada eu saí muito. Tenho andado meio boêmio. Isso pode ser sinal de que o verão vai trazer de volta meu lado notívago. Who knows?
Acabei de chegar de uma festa que provavelmente ainda está rolando no Flamengo (bairro). Fiquei impressionado com algumas situações; nada em relação a homossexualismo etc., simplesmente porque encaro este tipo de coisa como a algo extremamente natural; sou à favor do amor em todas as suas formas. Mas, confesso que estou mais do que alto, devido ao vinho que acabei tomando além do previsto e isso me deixou numa situação de extrema observação, aliás, como geralmente fico.
As pessoas buscavam divertir-se dentro de um aniversário, mas me incomodava a falta de uma troca mais concisa, mais cultural e acabou confirmando-se um vazio de proposta, um vazio de essência, que, confesso, me incomodou bastante.
O que está acontecendo com essa juventude? Onde estão as festas onde se curtia uma discussão saudável, onde se bebia bastante, mas como uma forma de lubrificar a mente para esquentar debates e idéias em vários âmbitos, sejam políticos, culturais etc.? Senti-me no meio de pessoas vazias que tentavam dar a impressão de que eram pessoas cheias de embasamento, que absolutamente não existia.
Fiquei um pouco mais na festa, tentando pescar, ou mesmo, tentando acreditar que algo mudaria e as pessoas seriam mais culturais e discorreriam sobre várias coisas no calor do álcool, mas tenho que admitir, que não pude suportar, quando o som começou a tocar os funks de baixo calão, com frases apelativas e as pessoas aderiram, sem nem dar sinal que a festa poderia se transformar num mini-sarau, com uma produção cultural que os aditivos etílicos geralmente proporcionam aos artistas conscientes e preocupados em engrandecer as possibilidades, preocupados em expandir cada vez mais a discussão em busca de novas idéias, que possam, de alguma forma, fomentar novos caminhos culturais.
Decepção. As pessoas tem bebido para ficarem “doidonas” e não mais como uma forma de aditivar a mente em busca de um sentido maior, em busca de discutir cultura e arte. Senti-me isolado em meio a uma infantil diversão inconseqüente. Que pena... Realmente, que pena. O potencial parecia-me realmente grande, para que se pudesse transformar tudo em algo produtivo; cabeças jovens, frescas... no entanto, rasgadas pela mídia farsesca.
Será que sou eu que estou ultrapassado? Será que estou querendo (idealizando) demais?
Sinceramente, não sei o que pensar...
Claro, que saí à francesa! Não poderia ser de outra forma. Mesmo que hoje em dia eu considere esta forma de saída um tanto quanto anti-social. Mas, sinceramente, em casos como esse, a saída à francesa é a única opção de sair e evitar os tradicionais interpelos cheios de questionamentos sem sentido e um tanto quanto babacas, na tentativa de nos fazer ficar.
Lembro que há alguns anos, vi o Osmar Prado fazendo a divulgação de um espetáculo que ele estava fazendo, onde ele interpretava Hittler – Se não me engano, se chamava “Uma Rosa Para Hittler”. Em determinado momento da descrição do espetáculo e das perguntas do apresentador do programa, em relação ao personagem tão contundente, Osmar disse que estava tentando mostrar o lado de Hittler que ninguém conhecia, ou seja, refletir o lado humano. Pronto! Na semana que se seguiu, vimos uma saraivada de ataques e censuras a ele, por ele ter dito que Hittler tinha um lado humano. Isso me fez pensar a respeito, já que me incomodou profundamente essa hogeriza irracional.
Comecei a me dar conta de um no mínimo curioso. As pessoas ainda continuam co este comportamento de querer apartar da humanidade seres que são tão humanos, que as colocam de frente ao espelho dolorosamente. Não estou dando uma de advogado do diabo, nem sou neo-nazista, antes isso me deixa numa situação onde o riso de absurdidade é inevitável. O que estou tentando dizer é que Hittler era mais humano do que muita gente gostaria de ter que admitir. A questão gira em torno do fato de ele ser o responsável por uma das maiores atrocidades que a história pode registrar. Mas o que as pessoas não se tocam é do fato de que tudo que ele fez ou foi responsável indireto, acontece em outros âmbitos em várias camadas da sociedade contemporânea.
O fato é que temos a covardia de querer execrar da raça humana todo aquele que comete atos horríveis, como foram os de Hittler, mas isso é apenas um reflexo de quem não quer se olhar no espelho e assumir que somos todos assim de alguma forma; a raça humana em si, em comparação com as outras raças da Terra, tem sido um verdadeiro vírus, um câncer neste planeta, corroendo a vida e denegrindo seu próprio meio ambiente. O que falar então de sistemas que fazem tanto quanto, ou maior atrocidades que as de Hittler? O que dizer de nosso sistema monetário, que mata silenciosamente milhões de famílias ao redor do mundo, de forma indireta? Ninguém levanta bandeira alguma para condenar isso; muito pelo contrário, todos vivemos de acordo com este sistema, consumindo e usufruindo das inúmeras facilidades que este sistema nos proporciona, desde que tenhamos como pagá-las; se não temos, somos jogados para escanteio e vistos com marginalidade.
O que falar da indústria armamentista, que fomenta guerras absurdas, mata milhões indiretamente com seu comercio vil e canalha, só para honrar cada vez mais a bíblia monetária internacional, onde os ganhos não tem limite?
O que existe no ser humano é, além de falta de vergonha na cara, coragem de admitir que somos igualmente este monstro capaz de um genocídio. Somos capazes de coisas maravilhosas sim, como alguns tem demonstrado, mas, no entanto, nos transformamos numa praga que destrói tudo que toca, até a si mesmo.
Portanto, Hittler era um ser humano sim, como qualquer outro de nós e temos que começar a admitir que não estamos longe das atrocidades dele. Somos responsáveis direta e indiretamente por situações horrendas que acontecem todos os dias ao redor do mundo, mas que a mídia mascara com seus brilhos, paetês, carnavais, copas do mundo e programas dominicais.
Está na hora de pararmos de tentar tapar o sol com a peneira, assumirmos nossos podres e buscarmos mudar isso. Se não assumimos esta responsabilidade, nada mudamos e continuaremos vivendo como hipócritas e demagogos; todos com sorrisinhos bonitinhos e idiotas.
A vida anda um tanto complexa... Ou melhor dizendo, a forma como eu andei vendo as coisas. Acho que o fato de minha visão das coisas estar mudando e se tornando cada vez mais abrangente, tem me tornado naturalmente mais passivo e menos emergencial. O mais curioso disso tudo é que fica cada vez mais difícil tentar tapar o sol com a peneira; as máscaras estão caindo e eu não consigo mais ver a sociedade com a velha inocente visão da maioria das pessoas.
Aprendemos a separar as coisas em certo e errado, o que devemos e não devemos fazer... Hipocrisia. A sociedade e o mundo afora são impermanentemente as duas faces do TAO. O “certo” é válido até que ele não atrapalhe interesses pessoais de quem cantou a pedra comportamental, caso contrário, o certo se torna inconveniente. Vemos isso o tempo todo, mas fingimos que não vemos... Ou simplesmente deixamos passar. De certa forma, deixar passar nem é tão ruim; cada um tem sua própria consciência e já é bastante difícil regrar a mim próprio, para querer ir cobrar do outro o que EU acho que é certo.
To vendo as coisas de forma tão abrangente que me pego rindo dos bandeiristas de plantão, achando que vão mudar o mundo. Basta conhecer história para sacar logo a analogia recorrente do passado com o presente. Tudo está sempre mudando e tal, mas no fundo são os interesses de uma minoria que acabam sendo valorizados. Então temos guerras e diversos bla-bla-blas, que são manobras muito bem feitas para que os interesses de uma minoria prevaleçam, de forma que a maioria ainda fique feliz, achando que fez seu dever, que ajudou a pátria, ou ajudou numa grande mudança para os menos afortunados. Risível.
Enfim... Nós nascemos sozinhos e temos que aprender a socializar e amar o outro, compreendendo como somos extensões... Não vou ficar me preocupando com o que outro faz de certo e/ou errado. Vou procurar ajudar a todos sem segundas intenções e terminar minha jornada sozinho, para não deixar lamentos, nem as incômodas lágrimas de quem mais uma vez preferiria ter-me numa garrafa, para não ter que perder algo, que em verdade ela nunca possuiu.
Vou fazendo minha parte de forma humilde. Acho que esse tem sido o grande aprendizado de fato. Minhas pequenas coisas, meus pequenos atos valem mais do que grandes revoluções em prol de falsas bandeiras e ideais de capa.
...Sinto falta de minha mãe.
...Olho este ser quase vegetativo e sinto-me isolado.
...Quem está ali afinal?
...Preso num interlúdio eterno entre vigília e sonho (pesadelo talvez!), está um ser sem palavras, apenas urros, berros, lágrimas...
...Sinto-me só, embora saiba muito bem que não estou.
...Fico olhando-a interdita e choro por dentro a sua dor; a dor de quem está presa no próprio corpo.
...Queria poder libertá-la sem leis e regras, mas não posso. Minha impossibilidade é uma ética mais que genético-espiritual.
...Sua vista perdida, às vezes toma vida surpreendentemente e, antes que eu possa supor um lampejo de lucidez, vejo aflorarem os instintos mais básicos, de sensações e eterna busca de satisfação.
...Parte de mim dói. Parte de mim entende.
...Porém, quando dos gritos alucinantemente inumanos, quero fugir para bem longe, pois uma metade invade a outra e sou apenas dor, dor desesperadora... E desejo que tudo suma, tudo pare... Nada para.
...Nestas horas desejo desposar a sombria condutora e não presenciar mais este espetáculo dilacerante.
Ando sobre folhas secas e úmidas de um resto de outono, enquanto vou lembrando sons, imagens, sentimentos de alguns momentos felizes na selva de pedra distante. Potes inteiros de sorvete, sussurros e respiração ofegante ao som de um jazz "on the road" no quarto obscuro; batidas na porta e delicados sorrisos entre flashes ofuscantes sobre as montanhas e vales de um edredom irregular.
Noites molhadas de surtos de prazer e desejos que eram quase eternos no espaço de um tempo qualquer. E a primeira vez numa magia sem descrição acertada, mas inesquecível e mágica; nos amamos enquanto pudemos, mesmo entre dúvidas e incertas chegadas e idas, intervalos muitas vezes longos, comportamentos magoantes e incompreendidos. Uma lágrima cai... Um brinde de alma à contramão dos sentidos sem sentidos.
E São Paulo era tão diferente... Eu era tão diferente...
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Escutando "Just Like Heaven" (Acústico) - The Cure.
Às vezes o mundo parece vazio. Sim! Parece vazio mesmo. Mesmo com essa superpopulação... A impressão que dá nessas horas é que é uma superpopulação de autômatos... Ou de dopados, mergulhados num conto de fadas pós-moderno e insalubre.
A questão é que o mundo parece vazio às vezes. Antes eu me sentia isolado, quase como um peixe fora d’água. Hoje, quando sinto isso, procuro centrar em mim e buscar aquele Deus interno que me ajuda a tomar consciência de que não estou de fato só; sua presença é indubitável e ao mesmo tempo inexplicável. O importante é que isso me alivia e me dá forças para que eu vá em frente, que acredite mais em mim.
Ando comprando fichas extras para a “roda-gigante”. Que ela gire e continue girando como mil galáxias. Fazem parte do caminho uma topada ou outra... Na verdade as quero! Preciso de minhas topadas... Às vezes sangra... Na maioria das vezes a pedra nem repara. Já me importei muito com isso. Hoje já não me importo... Mentira! Importo-me sim... Mas estou aprendendo a não me importar. O ideal é não me importar. Expectativas, idealismos, fazem com que nos importemos em satisfazer nossos pontos de vista... Mas não é o ponto de vista que se satisfaz, é o ego.
Compreender isso é meio caminho andado. Agora vem a parte difícil da jornada; a segunda parte do caminho é aprender a usar esta compreensão com sabedoria. É preciso estar desperto... É preciso “orar e vigiar”. É preciso querer mudar... É preciso Vontade.
Bem, sigo num processo de filmagem de um curta com meus alunos. Esta semana fiz o primeiro teaser trailer do filme, que deve ficar pronto mais para o final do mês.
Bom, to postando abaixo o teaser, para dar uma aguinha na boca.
O que sabemos sobre realidade?
Somos caminhantes que seguem um mapa estipulado por um bando de cegos que juram que estamos indo em direção ao paraíso, quando estamos de fato caminhando à beira do abismo, sorridentes como hienas dopadas de estimulantes da mídia.
As pessoas costumam olhar para as vitrines e verem novos Goguin e Van Goghs que elas possam vestir e desfilar, como se elas próprias tivessem pincelado seus trajes, num surto artístico da qual são incapazes, não por uma falta de talento, mas simplesmente porque são tolhidas por sua cegueira segregacionista e cheia de uma pompa absurdamente egocêntrica; máscara de uma neurose extrema e da qual ignorantes são inocentemente.
O que é a realidade de fato? As relatividades de pensamentos tão díspares podem retratar realidades da mesma formas díspares. O que faz diferença é quando estamos dispostos a ver além de nossos próprios umbigos, deparando-nos com possibilidades novas, com paradigmas mais largos e mais aceitáveis a quem está com a mente aberta. Poucos na verdade estão. Somos todos doentes de nós mesmos. Estamos tão cheios de nós, que não temos espaço para perceber o outro, quanto menos uma concepção que não seja nossa.
Quantos suspiros não escutamos nas esquinas daqueles que mergulham num romance que está definitivamente fadado à neurose? Fantasiamos uma beleza que é apenas aparente e que de essência é vazia, pois está camuflada pela necessidade do desejo doentio. Falta-nos a sinceridade de admitirmos aquilo que poucos de nós está disposto a reservar um tempo a questionar... Questionar a si mesmo. Quão absurdos somos em nossas exigências, que não percebemos o quão ridículos estamos igualmente sendo em nossas prerrogativas farsantes!
Olhemo-nos no espelho e procuremos ser sinceros por apenas alguns minutos e logo nos vemos atirados em depressão, em repelente comportamento diante de quem realmente somos. Precisamos ter coragem de assumirmos nossa realidade doentia, para que se possa ter alguma esperança de saúde. Mascarar esta realidade é o que temos feito através de tanto tempo, que tudo isso parece normal, mesmo que soframos profundas fissuras em nossa alma, por tentarmos evitar nossa parte divina, se é que posso usar este termo tão comprometedor.
Quantas ervas daninhas não plantamos em nossos jardins, esperando que nasçam flores, como quem toma um calmante, esperando que o mundo se tornará melhor no dia seguinte? Está mais do que na hora de assumirmos nossa parcela de responsabilidade pelo jardim que é nosso e de todo mundo. Precisamos plantar mais flores em multicores, para que exista algum arco-íris quando a tempestade chegar. Não dá mais tempo para choramingarmos nosso próprio desleixo, como se outro fosse o responsável.
O mundo é composto de cada um de nós e continuamos fingindo que nada tem a ver com nada. Estamos nos matando e nem percebemos que nosso problema não está no álcool que consumimos, não esta na droga que sorvemos de diversas formas, mas sim na falta de coragem de encararmos nossa própria realidade, na falta de coragem de encararmos a verdade de que viemos fazendo besteiras faz muito tempo e que agora é hora de assumirmos tudo isso e fazermos diferente.
Vamos ficar esperando que outro venha e faça? Cada um tem um conceito próprio e uma realidade relativamente própria, então, nada mais natural, que cada um comece a mudar as coisas dentro deste pequeno grande espaço de realidade pessoal, sem se importar com convencionalismos, com posturas doentias, que não significam mais nada dentro deste contexto tão atual e tão diferente, posto que é um grande chamado para o despertar do mundo ao seu redor, que não está e nunca esteve contido no seu próprio umbigo.
Olhemos para este espelho mágico de vida, que transborda ruidosamente a milênios, mas que temos estado cegos e surdos por toda uma era, a ponto de envenenar nossa própria imagem, refletindo ilusões tão sombrias e auto destruidoras.
É um momento para vermos o arco-íris com uma outra conotação; como uma extensão da realidade de cada um de nós, com nossas possibilidades criativas e divinas, sem a pieguice das convenções religiosas. Somos todas as cores no potencial humano que nunca imaginamos ser possível. Está na hora de acordar, antes que percamos a hora de uma vez por todas e a escola feche os portões, nos deixando de fora dessa possibilidade tão fácil de sermos mais do que apenas indivíduos.
Atualmente o que mais me tem tomado a atenção é o filme que estou fazendo com meus alunos. Estamos entrando na terceira semana, sendo que só podemos filmar aos sábados, o que complica bastante a realização. Um exemplo disso foi sábado passado, que choveu e eu acabei não conseguindo filmar quase nada, apenas as cenas que estavam penduradas do sábado anterior. Este sábado estamos lá novamente e esperamos poder finalizar as filmagens, para que eu possa entrar em edição.
Só de pensar no trabalhão que terei para editar o filme, já fico meio preocupado. Tá certo que é um curta-metragem, mas a quantidade de planos e takes é enorme e vai dar um trabalhão organizar isso tudo, montar a sequência e colocar trilha sonora e efeitos especiais; aliás, estes últimos nem sei se realmente vai ser possível fazer.
Dia 11 faço minha nova tattoo. Vou tatuar o ombro esquerdo inteiro com um desenho bio-mecânico. Vai ser um dia de sofrimento e alegria, pois um desenho deste tamanho vai ser bem sofrível de se fazer, mas compensa com a arte maravilhosa do talentoso Dani Tucci. O desenho ficou simplesmente lindo, levando-se em consideração que fizemos apenas um esboço; na pele é que vai ganhar vida de fato. Bem, assim que ficar pronto, tiro uma foto e coloco num post aqui.
E estou com um portal na internet, que é uma sociedade com o Marcelo. Também ta sendo uma trabalheira, mas como é uma coisa que faço tranquilamente, ta fluindo bem. É o portal de um bairro de Nova Iguaçu, aqui no Rio de Janeiro. Quem quiser conferir, só dar uma olhadinha.
E o Paes ganhou no Rio... Hmmm... Olha, eu queria muito que o Gabeira ganhasse, pois seria algo novo, uma pessoa com propostas realmente novas. Não sou nenhum fanático, então desejo ao Eduardo Paes boa administração, mas tenho que confessar que não tenho muitas esperanças; com tanta coligação para que ele fosse eleito, acho que ele ta com uma bola de ferro no pé e não vai fazer nada do que tanto prometeu.
Uma pena realmente o Gabeira não ter ganho... Só o golpe do feriado adiantado dado pelo Cabral, já foi um exemplo de calhordice. Dizem que na política vale tudo, mas eu não chamo este tipo de coisa de política, chamo de desonestidade e exemplo de péssimo caráter. Política pra mim exige uma postura digna, respeitável, responsável e ética. O que vemos por aí é uma distorção, um estupro do significado da palavra.
E o sol já tem marcado sua presença no Rio. Tem feito calor, muito embora tenham passado umas frentes frias que deságuam sobre a cidade. Hoje, por exemplo, ta um dia meio nublado, mas abafadão!
Bem, que venha o verão. Este ano to empolgado com a idéia de curtir bastante o verão carioca.