Quarta-feira, Abril 29, 2009
CÉU ESTRANHO ESCURO
(Zimmer)
Todos os velhos de fardas já não podem mais.
Todos os ternos assumiram suas idéias más.
Gritamos alto todos os sinais
Choramos juntos feito animais
Toda nossa alma saturada de toda essa dor
Esfriam ideais ao sabor deste calor
Abafado foi carnaval nosso torpor
Na avenida me perdi de meu amor
E nem é mais verão,
Amor em vão
Nem é mais então
Essa ilusão
E o destino sem sentido nos ironiza
Em nossos olhos os gases e coriza
E nossa luta vira uma ojeriza
Quase nos horroriza
E vamos engolindo tanta pose imoral
Com coca-cola, pizza e gardenal
Dormimos noites pesadas e tal
Tentando esquecer o mal
Mas o poço é escuro, escuro céu
Estrelas mortas, poeira ao léu
Somos cordeiros lambendo mel
Covardes por trás do véu
E os ternos voam e sorvem a vida
Atropelam nossas almas na avenida
E enviam flores a nossa querida
E bebem com prazer a nossa bebida
E deixamo-nos perder na floresta
Todos marcados na testa
Impedidos de entrar na festa
Única gente que presta
Esquecer talvez não
Ouve xangô, trovão!
Nossa gente no chão
Querendo ser são
Vida e morte já tanto faz
A história mentira trás
O terno sorri então mordaz
E a gente não agüenta mais
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1:24 PM by Alex Zimmer
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Segunda-feira, Abril 27, 2009
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5:26 PM by Alex Zimmer
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Sábado, Abril 25, 2009
MEUS PASSOS SÃO MEUS!
Eu penso em estar sozinho, longe de todos e de tantos ideais; estou cansado de conceitos e quero escrever minhas próprias páginas, criar meu próprio mundo, caminhar sem medo de errar o passo e cair num abismo de anti idéias que usam minha fragilidade contra mim.
Não quero ouvir mais tantos pseudo sábios, que acreditam em mundos etéreos que eu nunca vi e criam regras infundadas para que se acredite sem provas reais de sua eficácia.
Afinal de contas, por que estou aqui? No meu próprio conceito – que eu mesmo criei, porque nenhum deus poderoso e supremo desceu das alturas para me dizer e mostrar como deveria ser. O que vi até hoje foram apenas palavras voando, palavras no papel e a audácia de afirmativas de verdades que não podem me provar nada – estou aqui para me tornar alguém melhor, apesar do vazio referencial, já que a maioria é mascarada e não conheço suas verdadeiras faces.
Meu nada pelo menos é meu e de mais ninguém, porque não ando por aí tentando arregimentar um rebanho de fiéis às minhas idéias, que mesmo eu, ponho constantemente em questão a todo instante.
Meu caminho preciso trilhar explorando meus próprios limites, sorrindo, chorando, sofrendo, rejubilando, sem prestar contas a ninguém.
Não quero falar com ninguém, porque ninguém vai querer guardar suas próprias idéias ao perceber que não preciso delas.
E daí, se tomo meu absinto e agito o astral com minha ousadia gramatical, retórica, demagógica, obtusa, kamikase? Eu arrisco, por isso a ambivalência, a dicotomia, o paradoxo, a dubiedade. Eu me permito mudar de idéia e não quero temer por isso. Tema sozinho dentro de suas crenças que não me interessam.
Estou cansado do medo ao meu redor. Quero arriscar tudo, mesmo que signifique ter que começar tudo de novo – eu me permito; estou aqui para viver, seja lá de que forma eu ache correta.
Cansei das regras dos outros, que não funcionam pra mim.
Peguem seus terços e rezem, mas por Deus, deixem-me em paz. Chafurdem em suas mentiras, estórias e epopéias frágeis e sem sentido real, mas não me incluam nisso.
Chamem-me de marginal, renegado, o que for! Eu realmente não me importo. Sigo sozinho e danem-se todos com seus contos de fadas.
Só acredito em mim e naquilo que experiencio como real. E se isso não está bom para você, FODA-SE!
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7:16 PM by Alex Zimmer
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Quinta-feira, Abril 23, 2009
DRAGONFLY
Será que os pensamentos existem como seres de vida própria e que vez ou outra nos vemos emaranhados em suas próprias cogitações sobre idéias e mundos tão inexplicavelmente estranhos, sem expectativa de sabermos quem somos? Às vezes penso e nem sei se sou eu quem pensa... Talvez eu seja um holograma, um brinquedo visual, tecnológico, na mão de uma criança de um futuro distante e acredite que exista, quando não passo de uma distração infantil.
Essa chuva me transporta. Deveria eu temer a chuva? Deveria eu temer algo? Palavras e mais palavras, como a construir um enorme arranha-céu sem razão e meio obtuso por natureza... Mas é tudo tão estranho... Talvez por isso seja bom sorrir sem importância, sem razão... O segredo pode nem ser tão secreto como pensamos e esteja de fato bem debaixo de nosso nariz, esperando um momento qualquer de vontade nossa de tentar pensar diferente...
Folhas, outono, chuva... Isso me aprofunda, me absorve sem pressão, enquanto emudeço em meio às perguntas insistentes e cheias de palavras que simplesmente não quero usar; ando silencioso e tem sido bom assim. Chega de guerras por enquanto, chega de bandeiras, de razões sem razão... É tudo tão bonito, que também quero me permitir ser.
E as libélulas continuam aparecendo em momentos especiais; meus pequenos sinais do outro lado.

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10:51 PM by Alex Zimmer
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Quarta-feira, Abril 15, 2009
QUEM ESTÁ DOENTE: ADRIANO OU OS OUTROS?
Texto legal do Emir, que achei legal disseminar, pra ver se os cabeças ôcas acordam pra real.
Que sociedade é esta que, quando alguém diz que não estava feliz no meio de tanto treino, tanta pressão, tanta grana, tanta viagem, que prefere voltar à favela onde nasceu e cresceu, compra cerveja e hambúrguer para todo mundo, fica empinando pipa - se considera que está psiquicamente doente e tem que procurar um psiquiatra? Estará doente ele ou os deslumbrados no meio da grana, das mulheres, das drogas, da publicidade, da imprensa, da venda da imagem? Quem precisa mais de apoio psiquiátrico: o Adriano ou o Ronaldinho Gaucho?
O normal é ter, consumir, se apropriar de bens, vender sua imagem como mercadoria, se deslumbrar com a riqueza, a fama, odiar e hostilizar suas origens, se desvincular do Brasil. Esses parecem "normais". Anormal é alguém renunciar a um contrato milionário com um tipo italiano, primeiro colocado no campeonato de lá.
Normal é ser membro de alguma igreja esquisita, cujo casal de pastores principais foram presos por desvio de fundos. Normal é casar virgem, ser careta, evangélico, bem comportado, responder a todas as solicitações e assinar todos os contratos. Normal é receber uma proposta milionária de um clube inglês dirigida por um sheik, ficar pensando um bom tempo, depois resolver não aceitar e ser elogiado por ter preferido seu clube, quando antes ele ficou avaliando, com a calculadora na mão, se valia a pena trocar um contrato milionário por outro.
Considera-se desequilibrado mental quem recusa um contrato milionário, para viver com bermuda, camiseta e sandália havaiana. Falou à imprensa de todo o mundo, disposta a confissões espetaculares sobre o que havia feito nos três dias em que esteve supostamente desaparecido - quando a imprensa não sabe onde está alguém, está "desaparecido", chegou-se até a dizer que Adriano teria morrido -, buscando pressioná-lo para que confessasse que era alcoólatra e/ou dependente de drogas, encontrar mulheres espetaculares na jogada.
Falou como ser humano, que singelamente tem a coragem de renunciar às milionárias cifras, eventualmente até pagar multar pela sua ruptura, dizer que "vai dar um tempo", que não era feliz no que estava fazendo, que reencontrou essa felicidade na favela da sua infância, no meio dos seus amigos e da sua família.
Este comportamento deveria ser considerado humano, normal, equilibrado. Mas numa sociedade em que "não se rasga dinheiro", em que a fama e a grana são os objetivos máximos a ser alcançados, quem está doente: Adriano ou essa sociedade? Quem tem que ser curada? Quem é normal, quem está feliz?
por Emir Sader
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10:49 PM by Alex Zimmer
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Segunda-feira, Abril 13, 2009
PILULINHAS OUNLAINE
Final de semana intenso esse. Momentos simples e especiais onde pessoas disseram e fizeram coisas que significaram muitas coisas e ainda vão repercutir bastante. É curioso como as coisas sempre acontecem quando não se espera e meandros movimentam-se para aproveitar estas ocasiões; e mesmo assim, a gente nunca está preparado. Não que isso signifique uma grande surpresa, até porque é uma questão de ver a vida de forma mais madura, então, de dar um meio sorrisinho e achar curioso, tecendo um pequeno comentário interno sem palavras, mas que sempre significa muito.
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Gente, bebi aquela vodka twist este findi. Avaliação? HORRÍVEL! Não fosse o gelo, para dar uma diluída, caray... péssima. O pior é que a Taly comprou aquela garrafona da Smirnof e vai durar bastante... RS... Já sei que a Taly vai ler isso e ficar toda boladinha, então já vou logo dizendo: Taly, a gente depois mistura com suco de laranja, fanta etc. em momentos de descontração e reuniõezinhas, que aí fica legal; relax! Só não dá, definitivamente, para ficar tomando pura, porque é sinistramente ruim.
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Ah! Gravamos a primeira música de nosso CD autoral! E resolvemos disponibilizar na net, para quem quiser baixar e escutar. Basta ir no nosso site – WWW.BASEPLURAL.KIT.NET – entrar na página de músicas e fazer o download. O nome da música é FACE.
É muito importante ter o feedback dos amigos e quem se propor a escutar a música, já que por mais que sejamos artistas e estejamos moldando nosso estilo próprio, sabemos da interação bacana e vital que existe entre o artista musical e o público, então acreditamos no estreitamento dessa relação, já a partir da opinião em relação às músicas que vamos fazendo. Então, não se acanhe e mande ver! Baixe a música e dê sua opinião pra gente, tanto no livro de visitas do site, como aqui mesmo, nos comentários. Pra gente, realmente é muito importante.
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9:00 AM by Alex Zimmer
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Quinta-feira, Abril 09, 2009
BARFLY
Através da Avenida Lunar
As pessoas falam de amor e perdem-se em palavras abstratas de si mesmas em relação a outras pessoas. Muitos conceitos não passam disso, conceitos que elas jamais conseguem colocar em prática, como se apenas os dissessem para tentar convencerem a si mesmas de que conseguem ser diferentes do que realmente são.
Quão alta pode estar a lua cheia nesta quinta-feira de abril, com seu brilho majestoso desenhando uma avenida arquitetonicamente onírica, como que explodindo e invadindo a vigília, sem razão aparente, mas provocando impacto e algum tipo de reação em cada um de nós que acaba olhando esta avenida cheia de sonhos estranhos de noites inquietas e brisa que faz as leves cortinas dançarem a noite toda; um espetáculo para nossa insônia disfarçada de sono; como se quiséssemos nos enganar de que estamos dormindo, quando sabemos que não estamos.
Pobres olhares desejosos de aventura que a noite propaga. Cheios de falsa satisfação, numa tentativa constante de convencerem-se da satisfação. Mas ela nunca chega de fato e estamos todos condenados a esta grande roda gigante cheia de luzes e música engraçada, que as vezes chega a ser ensurdecedora. Ai, minha pobre loucura, que chora sorrindo cada instante de máscaras nesta festa imberbe e louca.
O líquido verde... Sorvo o líquido verde e me deixo levar através do resto de razão, sem me preocupar com o raio de opinião cachorra que qualquer um vem me ofertar; não pedi porra nenhuma, então danem-se suas palavras! Me deixe quieto no meu canto, enquanto apenas observo as xoxotinhas desfilando entre as mesas do bar; todas tão lindinhas... Ótimos enfeites animados, cheias de si, mas sem credibilidade nenhuma... Nem para elas próprias. Mas eu as amo... As amo simplesmente porque existem e isso basta. Vivam as xoxotinhas! Porque enquanto elas existirem, saberemos que não estamos irremediavelmente perdidos de nós mesmos!
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9:37 PM by Alex Zimmer
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Quarta-feira, Abril 08, 2009
EU, MIM, MEU
O fato de falar sobre isso não signifique que eu não entenda, antes é uma reflexão sobre o assunto, de forma compartilhar o caminho que eu segui para chegar em conclusões muito pessoais.
Fico às vezes de cara com a reação das pessoas diante de um não “feedback”, que elas esperavam e que, parece, todo mundo é obrigado - na cabeça delas - a dar de acordo com o esperado. Existe uma predisposição para o emocional quase passar por cima do racional – quando realmente não passa mesmo, pois é muito comum – ao nos vermos frustrados em nossas expectativas. Achamos que o outro deve corresponder àquilo que consideramos certo e/ou nossa visão da vida.
Daí a merda toda!
Quem pode dizer se a vida é assim ou assado, de acordo com a visão que se tem? Que eu saiba, ninguém é onipresente, onisciente, onipotente, para ter a autonomia de dizer peremptoriamente que a vida seja como se vê individualmente ou dentro de um padrão estabelecido por algum status quo, ou convenção social.
Não é a toa que dizem que expectativa é uma merda. Todo mundo já tem o ego inflado, egocêntricos até dizer chega – natural que sejamos cheios de idealismos que aumentam a cada instante, sem que percebamos que estamos pirando na batatinha ao idealizar que o outro seja ou aja do jeito que queremos – e ainda ficamos alimentando este tipo de comportamento através da mídia.
Acho que todo mundo que trabalha na mídia deveria ter a vida investigada e possuírem um dossiê bem completo, tanto de sua trajetória, quanto de sua saúde mental, pois lidar com o público na forma da mídia é mexer com a mente das pessoas, é estabelecer padrões. É quase que uma lavagem cerebral coletiva, o que é extremamente perigoso na mão de pessoas inescrupulosas, que são pouquíssimas em nossa amável sociedade – para não dizer o contrário.
Veja bem, não estou fomentando base para um censura, mas sim para uma responsabilidade maior das pessoas da publicidade em geral. É preciso acabar com esse oba-oba que está aí e que só piora a situação que já anda a beira do abismo. Isso é uma coisa séria! Mídia é pra informar e incutir a capacidade de pensar, dar acesso a dados e informação relevante, sem manipulação. Olha o que temos aí hoje em dia. É um contra senso muito grande e a gente fica fingindo que está tudo bem; ninguém questiona de fato.
Acho que as bases precisam ser revistas e partindo do indivíduo, porque o problema começa no indivíduo, que está/é profundamente neurotizado e se acha o umbigo do mundo de alguma forma. Se não é de forma clara, é sempre camuflado em situações cabulosas e cheias de meandros, mas que no cerne não passam de manobras do ego, quase sempre famigerado por controle.
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8:39 AM by Alex Zimmer
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Sábado, Abril 04, 2009
A FELICIDADE EXIGE VALENTIA
Recebi este texto de uma amiga ontem. Como concordo com ele em tudo, sem tirar nem por, achei muito relevante e, até mesmo, indispensável passá-lo adiante. Então, posto aqui e compartilho com quem visita minhas Palavras Perdidas.
"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
Fernando Pessoa
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8:00 AM by Alex Zimmer
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